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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Autodestruição e sucesso

P: Tem alguma coisa errada comigo. O azar me persegue, parece destino: quando estou para receber um aumento ou uma promoção, acontece alguma coisa no meu trabalho e da tudo para trás. Parece até perseguição! Será que eu nunca vou conseguir sair deste miserê e encontrar meu norte? Magda Fiory, Campinas

R: Esta é a mesma pergunta que muitos empresários se fazem: porque um produto ou serviço, com tudo para dar certo, muitas vezes fracassa? Qual o rumo a seguir? A primeira pergunta é: você quer MESMO aquilo que diz desejar? Está pronta para arcar com as consequências – para o bem e para o mal – de suas conquistas? Dois casos recentes e amplamente noticiados são exemplos extremos da autodestruição: Mickey Rourke e Paula Oliveira.

Do auge à lona
Mickey Rourke foi ator de sucesso, badalado, ganhou milhões estrelando filmes que marcaram os anos 1980. Começou a carreira com Steven Spielberg e despontou aos poucos no cenário internacional, tornando-se sex symbol pelo seu papel em 9 ½ semanas de amor. Embora tenha ganho alguns prêmios, os diretores passaram a chama-lo cada vez menos, pois diziam que era praticamente impossível trabalhar com ele. Em 1991, resolveu assumir a carreira de boxeador profissional pois, dizia ele, achava que estava se autodestruindo como ator (!!!). Ele tinha sido um boxeador amador quando jovem, mas, agora, estava velho para começar a carreira. Ganhou algumas lutas e, junto, varias partes do corpo quebradas e um rosto praticamente destruído. Ah, sem esquecer duas prisões, envolvendo violência sexual e dirigir embriagado. Decidiu voltar às telas, mas o processo foi lento. Finalmente, em 2008, interpretando um lutar de boxe (que ironia!) foi indicado para o Oscar de melhor ator (não ganhou). Fica a pergunta: o que levou um ator talentoso a se destruir, inclusive fisicamente?

Um caso anônimo
Mas não são só os famosos que sabotam a própria vida. Outro caso, ainda não bem esclarecido, é o de Paula Oliveira, 26 anos, brasileira, advogada, trabalhando legalmente na Suíça, com namorado e emprego bacanas. Tudo indica que a jovem, com uma perspectiva de sucesso pela frente, simulou uma gravidez, retalhou o próprio corpo, enfim, forjou uma situação da qual, com certeza, para dar a volta por cima, exigirá muito esforço. Mais uma vez a pergunta: por quê? Ora, mas será que existem casos assim no mundo corporativo? Lançar um produto para ele fracassar? Se o cenário fosse assim, direto e racional, era fácil lidar com ele. Mas não. O fracasso pode estar escondido de uma forma mais subliminar, mais inconsciente.

O preço do sucesso
Um produto bem sucedido pode exigir maiores cobranças de outros sucessos no futuro. Será mais atacado pela concorrência. A locadora de carros Avis explorou este aspecto no seu slogan. Posicionando-se como a que está em 2o. lugar, afirmava: We try harder, because we have to. Ou seja: eles faziam mais, porque precisavam! Afinal, estavam atrás. Já o líder... Acaba dormindo no ponto. E este é outra explicação para os processos de autosabotagem: de pois de “chegar lá” (seja lá o que isto significa), de conquistar o que eu quero, o que faço? Para onde vou? Talvez seja melhor ficar só na tentativa... Tem mais: e se eu fracassar? Então, melhor nem tentar! Assim, ficam as idéias sempre como... idéias. Os projetos engavetados. São as empresas cujos estudos e protótipos levam tanto tempo, que quando ficam prontos já estão obsoletos. Também há a conclusão errada, a partir de determinados fatos. Ou seja: tomam-se decisões suicidas, porque o diretor ou gerente está tão certo, mas tão certo daquilo que faz, que segue em frente, rumo ao precipício. Um exemplo? O lançamento mundial da nova fórmula da Coca-Cola, mais doce, em 1985 – provocou uma verdadeira celeuma no mercado e um bocado de prejuízo. Como fazem, então, as empresas para reduzir as chances de que seus administradores promovam a autodestruição de marcas valiosas?

Os 5 sentidos

Ao contrario do que geralmente fazem os autosabotadores, as empresas insistem no trabalho em equipe – melhor, em time. Sim, em um time, vocês tem pessoas jogando em várias posições, tem técnicos, tem gente na reserva, tem quem cuida da torcida, das finanças, da parte psicológica, medica e daí para frente. Treinam. Insistem e não desistem.
E, assim como no caso dos times que vencem, evitam a postura do “já ganhei”, ou seja, humildade também é um ingrediente fundamental para atingir objetivos e metas. Enfrentar os medos – e quem não os tem? – é o primeiro passo. Olhe, escute, sinta, respire fundo e... aja! Você vai conseguir.

Sua estratégia
1. Pense quais seriam as consequências negativas de alcançar aquilo que você deseja.
2. Descubra que medos e inseguranças que você tem que elas revelam.
3. Reúna um grupo de apoio –amigos, familiares, colegas- e revele seus objetivos e medos.
4. Peça sugestões de como vencer estes desafios – escute e ponha em prática!
5. Não confie só na sua auto-análise. Saia da defensiva e escute, também como os outros vêem as suas dificuldades.
6. Coloque tudo num papel... A palavra dita voa como o vento, a palavra escrita fica como impulso.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

David e Golias


P: Assédio moral. Isso mesmo, não é sexual, é moral. Desde que assumiu uma nova chefia, fiquei para escanteio, só faço trabalhos insignificantes e me sinto cada vez mais inútil. Não é que eu não veja luz no fim do túnel: já não vejo nem o túnel. Socorro! Noeli, Santos
R: Assédio moral é um problema seríssimo, presente tanto no setor público quanto no privado. Eu achava que no setor público, porque tem a estabilidade, isto não existia. Bobagem - existe, e muito.Tem o assédio mais direto: o chefe que grita, insulta, agride mesmo. Mas tem aquele sutil, tão maléfico ou mais - é colocar a pessoa a fazer um trabalho bem abaixo das suas competências, criticar sempre, fazer comentários irônicos e piadas que acabam com qualquer auto-estima.

PROTEGENDO-SE
O assédio moral ocorre porque alguém se considera maior, mais forte e mais poderoso. É o "rei do pedaço". Pior: muita gente nem sabe que sofre assédio moral! No mundo das empresas, é o líder, aquele que domina o mercado - e achata os menores. Como as empresas que estão em segundo, terceiro e quarto lugar conseguem se proteger? Existem duas estratégias: pela força e pela guerrilha.

PELA FORÇA

Aqui, é o caso da lei, que é utilizada pelas empresas. Existem punições para quem tenta sufocar a concorrência, praticando preços insustentáveis, ou usando práticas condenadas. Anti-cartel, anti-monopólio e daí para frente. A lei, para atuar, precisa de denúncias, provas. No caso do assédio moral, vale a mesma regra. Denunciar, para que existem punições. Funciona? Nem sempre (tanto para empresas, quanto para pessoas). Primeiro, existe o medo de denunciar e sofrer "vinganças". Depois, a dificuldade de obter provas (assim como no assédio sexual, tem gente que não acredita na palavra de quem está sofrendo). Não é uma questão de acreditar! não é religião! Terceiro, nem sempre existe um canal para denúncias. No entanto, é importante continuar trabalhando para que este canal - o legal - se aprimore cada vez mais.

PELA GUERRILHA
É o casa das empresas que optam por descobrir estratégias alternativas. É necessário descobrir os pontos "fracos" do inimigo, ou campos em que ele não atua. Também é importante conquistar aliados e não ficar sozinho. A Editora Cedibra (álbuns de figurinhas), quando começou a crescer, tinha dificuldades em distribuir seus produtos nas bancas de revistas - nem preciso dizer qual era a OUTRA editora que impedia isto. A Cedibra poderia ter se retraído. O que fez? Abriu um novo canal: passou a distribuir nos supermercados (o primeiro a aceitar foi o Carrefour), o que na época era totalmente inovador. A AVIS, locadora de carros, reconheceu que era menos poderosa (2a. no mercado) e tirou partido disto: anunciava que, por estar em segundo lugar, se esforçava mais. As campanhas cooperadas ou de associações, em que duas ou mais empresas se aliam, também representam a busca para vencer "as grandes". No caso do assédio, tente descobrir outras pessoas que também sofreram com isto e troque opiniões. Demonstre suas qualificações em outros locais, fora do departamento ou ambiente de trabalho (em um trabalho voluntário, no jornal local e dai para frente): os elogios acabarão refletindo-se no dia-a-dia. Ter em mente que todo trabalho é importante acaba por minar as estratégias de desqualificar o profissional. Para o ego não ir lá em baixo, lembrar que as demonstrações de poder escondem tão somente fraquezas pode ajudar e muito. A tarefa dos menos poderosos é difícil, mas possível. As vezes, abrir o jogo e enfrentar diretamente pode funcionar. Lembre-se de David e Golias!

A ESTRATÉGIA
1. Evitar o sofrimento mudo: busque em sites ajuda profissional.
2. Faça seu trabalho aparecer em locais alternativos - inclusive na Internet!
3. O problema existe e não depende da gente. Como reagimos a ele sim.
4. Buscar aliados é fundamental.
5. Manter-se informado sobre a lei é uma forma de fazer com que ela seja eficiente.

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assedio moral