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quinta-feira, 13 de março de 2008

Puxando o tapete

P.: Adoro meu trabalho. Só tem um probleminha: é uma puxação de tapete! Se não cuidar, vai direto para o chão… Quando menos se espera, lá vem facada pelas costas. Tem algum jeito de lidar com isto?, Dorothy, Canoas.
R.: A puxação de tapete, praga que assola 10 entre 10 empresas, ataca em todos os departamentos e funções. É aquele fulaninho “muy amigo”, mas que fala horrores de você ou simplesmente “rouba” suas idéias. Tem gente com tanto medo disto, que acaba imobilizado.

Super secreto
O senhor D. (vou omitir o nome) procurou ajuda da CBL – Câmara Brasileira do Livro. Ninguém queria publicar sua obra. Depois de muito insistir, meu pai, advogado, resolveu atendê-lo. Conforme dizia D., seu livro denunciava uma conspiração global, desvendava um segredo tão secreto, que colocava em risco o país, o planeta. Uma bomba. Sucesso garantido. Meu pai, então, propôs: -Você deixa os originais, que vou procurar uma editora. E ele retrucou: -O queeeee? Os originais são secretos, não posso deixar com ninguém!
Pois é, já tive clientes que omitiam informações, algumas fundamentais para se desenvolver uma propaganda adequada. Uma trabalheira descobrir os dados!

Concorrência desleal

É claro que na selvageria do mercado existe uma concorrência feroz, tanto nas estratégias de marketing quanta de propaganda. Por fora, tudo sorrisos. Mas na hora de conquistar um cliente, é um vale-tudo! A propaganda destaca os pontos fortes do produto ou serviço, insistindo que as outras empresa não têm aquilo, ou tem pior. E também tem a guerra de preços. Da mesma forma, quando um produto, serviço ou propaganda é bem sucedido, logo surge a concorrência para atacar, falar mal ou copiar aquilo que deu certo, mudando uma coisica qualquer. Fora os “olheiros” de plantão, investigando preços e estratégias como se fossem simples consumidores – verdadeiros dedos-duros, que orientam os contra-ataques aniquiladores.

Tem pior
Pior é quando as empresas se juntam e tentam liquidar com um concorrente que está aparecendo demais. Podem fazer guerra de preço, comprar o concorrente, estrangular a distribuição ou impedir que as matérias-primas cheguem. Isto ocorre entre as pessoas: grupinhos que se unem para acabar com a vida de alguém. Equivalentes no ambiente de trabalho: “esquecer” de avisar de uma reunião ou de uma chamada telefônica, colocar na boca do outro palavras que não foram ditas, atrasar a entrega de dados e informações e daí para frente. Faça você a sua lista.

Sobrevivendo
As empresas não dormem no ponto. Quando fazem algo bem feito, alardeiam aos quatro cantos. Alguém vai copiar? Tudo bem. Agora, o mundo já sabe de quem foi a idéia. Vira propaganda positiva. Isso é tão comum, que já é praxe no mercado. Chama-se benchmark ou benchmarket, são as melhores práticas, que merecem até prêmio. Tem mais. Fazem do inimigo, um amigo. Ou o que você pensa que são as associações de classe? Escolhem os pontos em comum e trabalham juntas por ele. Utilizam também táticas de guerrilha: ações inesperadas, que surpreendem a concorrência e o mercado, deixando os outros imobilizados. Por exemplo: antecipar uma campanha de propaganda, ou usar um merchandising criativo. As táticas de guerrilha estão na moda – vamos voltar ao assunto com alguns exemplos práticos. Enquanto isto, coloque sua imaginação em campo e prepare seu plano anti-puxação de tapete.

A Estratégia
1. Junte-se ao inimigo. Descubra pontos em comum para formar aliados: melhores salários, flexibilidade de horários, maior sociabilização e daí para frente.
2. Surpreenda. Entregue o relatório antes da data, consiga uma informação inovadora. Seja pró-ativo, enfim!
3. Invista na blindagem da sua imagem. Muita gente falando bem de você mina qualquer terrorista. Para isso, insista na sua rede de relacionamento. O benchmark prega em alto e bom som: aproveite as datas comemorativas (aniversários, fim-de-ano, etc.) para marcar presença. Lembre-se de elogiar os sucessos dos colegas, dos chefes e dos que estão abaixo de você.