P: Eu tenho a impressão que ninguém me escuta, nem no trabalho, nem em casa. Chego a ficar nervosa – e, no final, eu tinha razão sempre! Será mesmo que vale a pena insistir e dar a opinião, ou o melhor é continuar cada um na sua? Olga M., SPR: Que atire a primeira pedra quem nunca teve vontade de gritar: - Eu não avisei? Bem, melhor morder a língua e guardar a frase para si mesma, porque se a pessoa não ouviu antes, ouvira menos ainda agora... Diz o ditado que se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia.
Abrindo portas
Outro detalhe interessante é quando a pessoa pede uma opinião, geralmente ela já sabe a resposta: ou seja, a chave para abrir uma porta só adianta se o outro já avistou a porta... Neste caso, geralmente ele já tem a chave na mão! Quem pede a chave, nem sabe por onde a porta anda.
Clientes cabeça dura
Já tive vários clientes que se recusavam terminantemente a seguir as minhas recomendações. As alegações eram variadas: que eles estavam pagando e, portanto, eu tinha que obedecer (urg!), que eles conheciam mais do próprio produto do que eu – o que, parcialmente, é verdadeiro. Mas de comunicação, quem é que entende? Eu, não é? Além disso, é muito complicado mudar de idéia, rever a própria posição. Por isso se investe tanto em fidelizar um cliente – ou seja, é aquela propaganda que reforça a idéia de que o fulano fez um bom negócio, a melhor opção, foi inteligente ao escolher aquele produto ou serviço.
Ouvindo o próprio umbigo
Ou seja: a propaganda reforça aquilo que o próprio cliente já queria ouvir. Quando é que o cliente está conquistado? É quando a pessoa pensa: -Mas era justamente isto que eu...queria, pensava, achava, precisava (complete com o verbo que julgar mais interessante!). Então quer dizer que não dá para inovar, ser diferente? Dá... Em termos. É preciso criar uma ponte, um chão em comum, em que o outro se identifique, para que a comunicação realmente ocorra e se complete. Se a mensagem, a idéia, for totalmente inovadora, é difícil que o outro a aceite. Em progaganda, existem várias propagandas polêmicas. Elas surtem efeito? Para polemizar, sim. Para alcançar o que se propõe – seja transmitir uma idéia, consolidar uma identidade de marca ou vender um produto, acho difícil. Por quê? Exatamente pelo que comentei acima: as pessoas criam uma barreira em relação ao que as agride, em relação às mensagens com as quais discordam. Veja alguns exemplos de propagandas polêmicas no final deste post.
A ESTRATÉGIA
1. Para ser ouvido, ouça antes.
2. Selecione um mensagem com a qual a outra pessoa concorde. Introduza o que é diferente aos poucos.
3. Utilize um código que seja compreendido pelo outro, sem subestimar ninguém, é claro!
4. Reforce o que quer dizer com várias abordagens: gestos, tom de voz, citações (como dizia fulano...), desenhos, escrita.
5. Faça pequenas sínteses e dê exemplos envolvendo o interlocutor.
6. Ao provocar a interação (experimente fazer assim, me dê uma mão aqui, etc.) você consegue a colaboração, monitora o entendimento e aumenta as chances de ser ouvido!
PS: Enquanto isto... Já pedi para a Cristiane várias informações para orientar a criação dos cartões. É o primeiro passo: dados objetivos (o que precisa ter no cartão); dados subjetivos (estilo, preferencias, etc.) e alvo (o que pretende alcançar ao distribuir os dito cujos).
PROPAGANDA CONTROVERSA: confira.


