P: Meu namorado me pediu um tempo. Mas quanto tempo é “um tempo”? O que significa isto, afinal? Continuamos namorando ou não? Isabel, Londrina.R.: Um tempo pode ser muito tempo. A maioria das vezes, é uma eternidade. E não é só namorado que pede um tempo: tem noivo, marido, companheiro que vem sempre com esta conversa.
Medo com nome e sobrenome
No fundo, e as exceções estão aí para confirmar a regra, “um tempo” significa pura e simplesmente: -Cansei de você, quero borboletear por aí, mas sem nenhum sentimento de culpa. Mas quero ter certeza que você continua à mão e prontinha para me abraçar, caso eu deseje voltar!
Nas agências de propaganda acontece algo parecido. É o cliente que acena com um ótimo negócio ali na frente mas, enquanto isto, vai esfolando a sua pele. E você ali, esperando dias melhores. Pode esperar: vai nadar, nadar, e morrer na praia. E a empresa que fica “cozinhando” os anúncios que a gente cria, pede opções para várias agências, faz concorrências mil e depois não decide nada?
NIM
É o povo do nim: nem não, nem sim. O grande problema, é que somos coniventes com tudo isto. Acreditamos que, no frigir dos ovos, iremos acabar ganhando. Os ovos queimam e ganhamos é nada. E por quê? Ingenuidade? Auto-suficiência? De tudo um pouco. Tenho um amigo, israelense, que se mudou para o Brasil, casado com uma curitibana. Lá foi procurar emprego. Depois de um mês, encontrei-o. Perguntei: - E aí? Alguma novidade? Ele, cheio de entusiasmo e com sotaque carregado: -Sim! Fiz uma entrevista, fui super bem, me elogiaram muito. Pediram para eu esperar um tempo, que logo iriam me ligar.
Coitado! Precisei urgente dar um curso intensivo sobre o “dá um tempo brasileiro”. Ele não conseguia acreditar: -Quer dizer que dizem que vão ligar e não ligam? Mas em Israel, se você não é aceito, a resposta é na hora!
Ah, mas é que brasileiro é tão bonzinho… Não quer magoar ninguém. Tem medo de tomar decisões e se arrepender -e gosta sempre de deixar um reserva na mão, certo? Nas relações afetivas é o mesmo cenário. Como acho que não devem ficar sentadas até a bunda assar, o melhor mesmo é tomar algumas providências. Para isso, é preciso estar preparado e ter coragem de ouvir alguns nãos e deixar as portas se fecharem. Melhor portas fechadas do que calendário amarelado!
A Estratégia
1. Defina um prazo. Pode ser de comum acordo, mas defina uma data para o retorno.
2. Leia nas entrelinhas do “dar um tempo”. Fale claramente para evitar ruídos de comunicação e investigue se o significado é o mesmo para os dois lados.
3. O que pode ser feito neste “tempo” vale para ambas as partes? Por exemplo: se o cliente está fazendo concorrência entre agências, quer dizer que você também pode prospectar empresas concorrentes? Geralmente o cliente não quer saber disto: são dois pesos e duas medidas. Nas relações, também não. Quem pede “um tempo”, quer um tempo só para si – e que o outro fique a ver navios!
4. Viva o presente –pois o futuro é incerto e nunca chega.
