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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

PARA SER LEMBRADA

P: Dizem que as mulheres estão sempre atrasadas, mas vou te contar... Meu namorido é o Rei do desligamento. Posso dar mil e um toques para ele fazer isto ou aquilo, lembrar de uma data especial ou um programa bacana. Ele nem está aí, recusa TODAS as indiretas. Agora, do futebol, ah, isto ele não esquece nunca! Como é que eu faço para concorrer com as peladas – as peladas de futebol, bem entendido? Mônica, Rio

R:
Este é o problema de qualquer empresa ou propaganda: como fazer para o cliente lembrar de mim? Como fazer para que ele opte por ficar com esta ou aquela marca, e não outra? E mais: depois que o cliente opta, como fidelizá-lo, ou seja, fazer com que ele retorne e lembre sempre que somos os tais?

EMPRESA INGRATA
Tem empresa que só se preocupa em conquistar novos clientes: oferece do bom e do melhor, descontos, brindes, mimos e afagos... Agora, aqueles que estão lá, firmes e fortes... Coitados! Ninguém os escuta. Esta situação do “já ganhou” pode levar a empresa a ficar em maré mansa – e o cliente irritado acaba abandonando-a por outra mais atenta. Com certeza você já deve ter vivido situações assim, cada vez mais comuns na telefonia, TV a cabo e sistema bancário, para falar só de alguns setores. Os clientes assinantes são assassinados e ignorados! Portanto, é preciso investir um pouco nesta relação cliente-empresa. No caso, nas relações afetivas.

XÔ, ROTINA!
Em propaganda, a gente sempre ataca em duas frentes: uma, é relembrar constantemente aquilo que o produto é ou faz, ou seja, porque ele foi escolhido. A outra, é dar um tratamento diferente para esta informação, porque senão, quem está vendo o comercial passa rapidinho por cima... Precisa ter um equilíbrio entre a novidade – que dá aquela balançada e chama atenção, tirando a pessoa da sua mesmice e fazendo ela lembrar: – Opa! Isto é bacana! E subliminarmente, induzir –Claro, você já sabia, é isto mesmo... Muitas vezes, a mensagem tem que ser motivadora, mas direta – ou quem está do outro lado não entende nada! Ruídos de comunicação.

NÃO ESPANTE O FREGUÊS
Não dá para fazer uma virada total, porque isto assusta, mas pequenas modificações quebram a rotina e causam certo clima de incerteza: lembrar de quanto é necessário manter gestos de atenção, mesmo com antigos clientes, amigos, parceiros. Um pouco de risco e criatividade faz bem ao corpo e à alma. Em propaganda, falamos para “não tirar o macaco”. É que quando apresentaram o roteiro do King Kong, o primeiro produtor falou assim: - Maravilhoso! Só não gostei do macaco. Dá para tirar?
Portanto, não é para espantar, mas também não elimine o que é essencial para fazer a diferença. E vale a pena insistir: a repetição é uma das chaves da propaganda. Nós sabemos: por mais lindas que sejam as pernas femininas, concorrer com as pernas futebolísticas é páreo duro! Chega a ser concorrência desleal. Mas lembre-se que até os líderes acabam desbancados: - mire-se no exemplo do Corinthians. Seu dia chegará.

A ESTRATÉGIA
1. Relembre os pequenos detalhes que foram utilizados para conquistar esta pessoa.
2. Faça um up grade nestas abordagens, para despertar a curiosidade e criar uma zona de incerteza.
3. Mude códigos, linguagem e abordagens, se não estiver tendo sucesso.
4. Não desista! O mantra da propaganda é “continuidade”.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

CIÚME DE VOCÊ

P: Acho que não vai ter nenhuma estratégia de marketing e propaganda para o meu caso. Tento me controlar, mas não consigo: sou ciumenta mesmo! Já teve namorado que rompeu comigo por conta disto. Mas ciúme é sinal de amor. Ou não? O que posso fazer? Nádia, Montes Claros

R: Nádia, o que o ciumento quer? Garantir a fidelidade! É tudo que as empresas desejam - e se a gente considerar que o ciúme é algo obsessivo, que geralmente é um exagero ou distorção da realidade, dá para aprender um pouquinho com o marketing, sim. Ciúme é que nem aquele vendedor que gruda no pé: você diz que está só dando uma olhadinha, mas ele continua insistindo... Você diz que não ficou bem, ele fala que ficou fantástico! Ou seja, por mais que se diga uma coisa, o ciumento entende outra. Esta foto mostra bem como nem sempre o que vemos é real! Responda: onde estão os camelos?

Os camelos são as pequenas manchas em branco. O que está em preto é a sombra!

DECISÃO TOMADA
A percepção da realidade pode ser facilmente distorcida (a propaganda subliminar está aí para comprovar isto). No amor é a mesma coisa – se a pessoa está com alguém, é porque quer. Se não quiser... Com ciúmes ou sem ciúmes, nada feito! Para conquistar a fidelização, as empresas partem do princípio de que é mais fácil manter a relação com um cliente, do que conquistar outro, só que é impossível conquistar na marra. Elas ficam atentas ao que o cliente quer, falam a sua linguagem, dão liberdade de escolha, prometem e cumprem. Quer coisa pior do que aquelas empresas, quando você vai reclamar de alguma coisa, ficam sempre desconfiando? Até parece que todo mundo está querendo sempre passar a perna no outro.

QUEBRA DE CONFIANÇA
O problema é quando ocorre a quebra de confiança - caso de produtos com defeitos, prazos de entrega falsos e daí para frente. O PROCON esta aí e não nos deixa mentir. A confiança entre empresa-cliente é construída sem intrusão, mas com parceria, lado a lado. O cliente tem um problema e o produto ou serviço oferecido RESOLVE este problema e ainda oferece um benefício adicional. Se a empresa em vez de ser parte da solução do problema cria outro... Fora com ela! E são muitas as empresas que sumiram do mapa, por não respeitarem o cliente, seus hábitos e forma de pensar. A Campbell, cujas latas de sopa foram imortalizadas por Andy Warhol (sim, o mesmo da frase "todos terão direito a 15 minutos de fama", que o famigerado programa Big Brother confirmou), tentou conquistar o mercado brasileiro. Não conseguiu. Motivo? Ignorou as características culturais de quem de fato decide: o consumidor.

A ESTRATÉGIA
1. Desconfiar é erro fatal. Espanta mais do que alho espanta vampiro.2. Colocar-se na posição do outro é difícil, mas não impossível. Entender como e porque o outro age desta ou daquela forma ajuda – e muito.
3. Invista em criar espaços de espaços de liberdade e opção.
4. Antes de tomar o incerto pelo certo, é bom olhar duas vezes o cenário. As aparências enganam!