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sábado, 8 de março de 2008

Multipla jornada - Dia Internacional da Mulher

P.: Alguém poderia, por favor, me explicar por que eu preciso trabalhar tanto? Tenho que dar conta de casa, do trabalho, da família, e ainda sair bela e faceira por aí. Para dizer a verdade, não aguento mais! Soraya, Taubate.
R.: Um dia, alguém me disse: com a tecnologia, teremos mais tempo livre. Eu acreditei! Era mentira. Hoje, trabalhamos muito mais, porque com as tecnologias da comunicação, o trabalho nos persegue em casa, no lazer, nas ferias. Tem mais: quem tem trabalho intellectual, não descança nem dormindo. Ou alguém já ouviu falar de uma pessoa que deixa de pensar enquanto dorme? Estima-se que, hoje, se dorme uma hora a menos por noite do que há 150 anos. Ajudou pra isto, é claro, a invenção da eletricidade.
Do lar
Mesmo assim, com máquina de lavar louça, roupa, secar, passar e aspirar, a responsabilidade ccontinua da mulher. Que me desculpem os homens participativos. É comum ouvir –“Meu marido ajuda em casa!”. Isso só prova que o principal é realizado pela mulher. Nunca ouvi nenhum homem dizer: -“Minha mulher me ajuda em casa!”.

O cafezinho
É tão forte este estereótipo de que a mulher precisa “servir” que, em muitos casos, nem se percebe. Em uma das agências na qual trabalhei (eu era a única mulher do grupo, pois, acreditem, naquele tempo mulher em cargo de direção era coisa rara), sempre que tinha reunião o meu chefe dizia: -Ethel, dá para pegar um cafezinho prá gente? Na primeirea vez eu fui. Na segunda também. Na terceira, comecei a me irritar. Na quarta, fiquei indignada. Antes que acontecesse a quinta vez, na primeira oportunidade, antes de dar tempo para ele pedir, eu mesma disse: -Fulano, dá para pegar um cafezinho para a gente?

Listando valores
Para construir esta imagem da mulher super poderosa – super mãe, super amiga, super profissional, super dona de casa e super amante (sim, depois de tudo, ainda é preciso ter não sei quantos orgasmos múltiplos!) – a indústria reforça estes valores. Como? Com propaganda, claro. Grupos de discussão, pesquisa, analyses psicológicas, observação de tendencies são algumas das ferramentas empregadas para descobrir os pontos críticos que vão “balançar” o consumidor. É bom notar que muitos valores são contraditórios. Tem que ser romântica e dependente, mas agressiva e independente; apaixonada e impulsive, mas racional e comedida. E por aí vai – mas sempre potencialmente submissa aos desejos do homem. Haja esquizofrenia!
Confira, em baixo, algumas propagandas de antigamente e outras atuais. O que mudou?










A
estratégia
1. Imperfeição faz parte da vida. Perfeição ideal é só isso mesmo: um ideal.

2. Não caia no conto da propaganda e defina suas prioridades. O resto, deixe para lá.

3. Aprenda a dizer não. Já falei sobre isto em outro posto, com algumas dicas. Dê uma espiada.

E aqui vai o selo que iniciou tudo isto, e que esta no blog da Lys e da Meire. Lá você encontra os links para todos que participaram desta blogagem coletiva do dia 8 de março.