quinta-feira, 3 de abril de 2008

Mudando a rota

P.: Tenho uma profissão estável, sou reconhecida no meio. Nada de grandes fortunas, mas pobre não posso dizer que sou. Só que ando insatisfeita, penso em mudar de área. No entanto… Será que é tarde? E se der errado? Já passei dos 30! Marta, Goiânia
R.: O quanto “tarde” é tarde? Mudanças são sempre um desafio – e o “errado” depende daquilo que você considera “certo”.

As expectativas

O mundo do consumo está cheio de mudanças – para o bem e para o mal. Também para os executivos tais decisões são difíceis. Tive um cliente que havia desenvolvido um novo produto: uma pasta de dentes com perfume de rosas. É, isto mesmo. Não posso falar o nome porque a empresa é e-n-o-r-m-e e existe até hoje. Fomos a campo, para testar o produto. Bem, vocês podem imaginar o resultado. Por nossa própria conta, testamos na classe E, que adorou. Só diziam: -Imagina eu, no bailão, falando e soltando rosas pela boca!
Só que o cliente queria lançar para a classe A. E para convencê-lo que não ia dar certo? Mudar de idéia já é difícil, imagina mudar um produto, uma vida. A Kodack, só após amargar enormes prejuízos, decidiu dar uma guinada e entrar na era digital. O mesmo vale para a Xerox. Valisére. A lista é infindável, ultrapassa o mundo corporativo.

Gente que virou a mesa

O número de escritores, músicos, artistas e cia. que estão por ai, fazendo e acontecendo, também serve de exemplo. –Espera aí, você pode dizer. Isto é gente com talento incomum, nós estamos aqui falando de quem tem que pagar as contas todo dia, réles mortais.
O número de anônimos que busca novos caminhos também é significativo. Uma das explicações é simples: a expectativa de vida aumentou, o número de opções profissionais também. O que antes se resumia a 25, 30 anos de vida profissional, hoje mais que duplicou: continua-se estudando, aprendendo, trabalhando (e todos os “andos” que você quiser!) até os 70, 80 anos. E, no entanto, sempre dá um medinho de mudar.

Queimando navios

Muitos imigrantes conquistam a nova terra, para espanto (e inveja) dos que nela já estão. Qual a diferença? De onde vêm tanta coragem? Existem muitas explicações. Destaco duas: os imigrantes não têm nada a perder e não possuem uma rede de apoio. Isto significa que precisam dar tudo de si, sem contar com mais alguém. Os navios são queimados, não há retorno possível. É o mesmo estímulo que faz o sucesso dos jovens empreendedores, que vendem tudo para investir na sua idéia. E se der tudo errado? Isto está fora de cogitação. O não abrir mão do pouco que se tem é que impede as pessoas de arriscarem. Vive-se com um olho nas conquistas passadas – ignora-se o futuro, até que ele chega, implacável, exigindo mudanças. As empresas fecham os olhos para os funcionários desmotivados, clientes descontentes, concorrência agressiva. Quando percebem, saem correndo atrás do prejuízo, como já vimos. Muitas desaparecem – esperaram demais para reconhecer que a mudança de rota era fundamental. Portanto, alerta para os sinais que indicam a hora de virar o leme e navegar em outras direções. Se você terá sucesso? Isto já é assunto para o próximo post.

A estratégia
1. Alerta para os sinais que indicam problemas: vontade de largar tudo, irritação, mal estar indefinido, falta de energia, pensar alguma coisa, uma sugestão, mas silenciar.
2. Lista infindável de justificativas para manter a situação (como se quisesse convencer a si mesmo).
3. Chorar as pitangas em outra lista de tudo que pode dar errado, se mudar de atitude.
4. Agora, encha-se de coragem e escreva o epitáfio da sua vida, como ela é, se você morresse hoje. Depois, o epitáfio como gostaria que fosse. Não gostou das diferenças? Hora de agir.

sábado, 22 de março de 2008

Namoro Virtual

P: Adoro ficar nas minhas “paquerinhas” virtuais. Só que eu tenho um namorado bem real. Já li sobre vários casos – até separação! – por causa disto. Será que tem algum risco? Laís, São Bento
R: O mundo virtual toca no real, afinal de contas, por trás da máquina existe um ser de carne e osso. Mas o que diferencia os dois? Vou destacar alguns pontos. O primeiro, é que no mundo virtual, com um toque de mouse, dá para o mudar o cenário, as gentes, ou até mesmo desligar tudo. Já o mundo real não tem controle remoto (até que seria bom!).

Fantasia perfeita
Outro ponto importante é que o mundo virtual pode ser um mundo de sonhos. A perfeição até existe. É o mundo de sonhos da propaganda: as mulheres acordam sem remela no olho; o olho nunca está inchado! Ninguém tem bafo, nem chulé. O café da manhã… Deus meu! Nunca vi o leite derramar. As crianças aprontam-se rapidinho para a escolha, sem choro nem vela. E nos bares, então? O garçom está sempre bem humorado e atende ao primeiro sinal, trazendo o chope estupidamente gelado. De tanto ver estas imagens (a repetição faz parte dos princípios da propaganda, princípio este estabelecido por, quem diria, Hitler!), a gente acaba acreditando nelas. E o mundo da Internet criou um espaço perfeito para reforçar tais imagens.

Erros de leitura
O problema é que as mensagens transitam livremente entre os dois mundos e levam a interpretações diferentes, provocando toda a confusão. Tive um cliente -acho que a empresa existe até hoje: na época, fabricava discos, os bolachões, longplays (será que se transformaram em cds?) e, na primeira reunião, do alto dos meus 23 aninhos esplêndidos, comecei a defender a criação. Só que o fulano não parava de piscar para mim! Eu, totalmente sem jeito. O que fazer? Será que este desinfeliz estava me cantando? Ai, ai, ai. Saia justa total. Eu continuei, firme, fingindo que nada acontecia (cadê aquele controle remoto que eu falei lá em cima, para mudar o canal do mundo?). Como não dava para deletar o cliente, fazer o quê? Olhava pros lados, concentrava nas peças. Finalmente acabou. Ao chegar na agência, o pessoal comentou: -Dá até nervoso este cliente, não é? Ele não para de piscar!
Pois então: era um cacoete. Nada comigo não. Ufa! Já pensou se eu tivesse saído brigando por causa deste assédio que não era assédio?

Cada coisa em seu lugar
Por isso, nunca é demais lembrar: nem sempre o que se vê é o que parece ser. No caso das “paqueras virtuais”, as duas – ou três partes – precisam definir o quê significa o quê. Também não custa lembrar que fantasia é apenas fantasia, na Internet ou na propaganda. Ela pode fazer muito bem para a saúde, como válvula de escape para as tensões diárias. Mas também pode gerar mais frustração, quando se impõem como única maneira para as pessoas se sentirem felizes e desejadas.

A estratégia
1. Uma relação está em constante construção: defina quais os tijolos que são fundamentais e quais são os elementos decorativos.
2. Deixe isto claro antes de fazer qualquer “reforma” e confira se a outra parte concorda!
3. O que para você é virtual, para o outro pode ser real. Não misture os canais.
4. Investigue o valor e o tempo que você está dedicando para cada um destes mundos. O que gera satisfação ou insatisfação? E até que ponto isto não é uma imposição da Geração Prozac, que recusa qualquer tipo de tristeza, por pressão da indústria e da propaganda? Pense nisto.

domingo, 16 de março de 2008

Um tempo

P: Meu namorado me pediu um tempo. Mas quanto tempo é “um tempo”? O que significa isto, afinal? Continuamos namorando ou não? Isabel, Londrina.
R.: Um tempo pode ser muito tempo. A maioria das vezes, é uma eternidade. E não é só namorado que pede um tempo: tem noivo, marido, companheiro que vem sempre com esta conversa.

Medo com nome e sobrenome
No fundo, e as exceções estão aí para confirmar a regra, “um tempo” significa pura e simplesmente: -Cansei de você, quero borboletear por aí, mas sem nenhum sentimento de culpa. Mas quero ter certeza que você continua à mão e prontinha para me abraçar, caso eu deseje voltar!
Nas agências de propaganda acontece algo parecido. É o cliente que acena com um ótimo negócio ali na frente mas, enquanto isto, vai esfolando a sua pele. E você ali, esperando dias melhores. Pode esperar: vai nadar, nadar, e morrer na praia. E a empresa que fica “cozinhando” os anúncios que a gente cria, pede opções para várias agências, faz concorrências mil e depois não decide nada?

NIM
É o povo do nim: nem não, nem sim. O grande problema, é que somos coniventes com tudo isto. Acreditamos que, no frigir dos ovos, iremos acabar ganhando. Os ovos queimam e ganhamos é nada. E por quê? Ingenuidade? Auto-suficiência? De tudo um pouco. Tenho um amigo, israelense, que se mudou para o Brasil, casado com uma curitibana. Lá foi procurar emprego. Depois de um mês, encontrei-o. Perguntei: - E aí? Alguma novidade? Ele, cheio de entusiasmo e com sotaque carregado: -Sim! Fiz uma entrevista, fui super bem, me elogiaram muito. Pediram para eu esperar um tempo, que logo iriam me ligar.
Coitado! Precisei urgente dar um curso intensivo sobre o “dá um tempo brasileiro”. Ele não conseguia acreditar: -Quer dizer que dizem que vão ligar e não ligam? Mas em Israel, se você não é aceito, a resposta é na hora!
Ah, mas é que brasileiro é tão bonzinho… Não quer magoar ninguém. Tem medo de tomar decisões e se arrepender -e gosta sempre de deixar um reserva na mão, certo? Nas relações afetivas é o mesmo cenário. Como acho que não devem ficar sentadas até a bunda assar, o melhor mesmo é tomar algumas providências. Para isso, é preciso estar preparado e ter coragem de ouvir alguns nãos e deixar as portas se fecharem. Melhor portas fechadas do que calendário amarelado!

A Estratégia
1. Defina um prazo. Pode ser de comum acordo, mas defina uma data para o retorno.
2. Leia nas entrelinhas do “dar um tempo”. Fale claramente para evitar ruídos de comunicação e investigue se o significado é o mesmo para os dois lados.
3. O que pode ser feito neste “tempo” vale para ambas as partes? Por exemplo: se o cliente está fazendo concorrência entre agências, quer dizer que você também pode prospectar empresas concorrentes? Geralmente o cliente não quer saber disto: são dois pesos e duas medidas. Nas relações, também não. Quem pede “um tempo”, quer um tempo só para si – e que o outro fique a ver navios!
4. Viva o presente –pois o futuro é incerto e nunca chega.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Puxando o tapete

P.: Adoro meu trabalho. Só tem um probleminha: é uma puxação de tapete! Se não cuidar, vai direto para o chão… Quando menos se espera, lá vem facada pelas costas. Tem algum jeito de lidar com isto?, Dorothy, Canoas.
R.: A puxação de tapete, praga que assola 10 entre 10 empresas, ataca em todos os departamentos e funções. É aquele fulaninho “muy amigo”, mas que fala horrores de você ou simplesmente “rouba” suas idéias. Tem gente com tanto medo disto, que acaba imobilizado.

Super secreto
O senhor D. (vou omitir o nome) procurou ajuda da CBL – Câmara Brasileira do Livro. Ninguém queria publicar sua obra. Depois de muito insistir, meu pai, advogado, resolveu atendê-lo. Conforme dizia D., seu livro denunciava uma conspiração global, desvendava um segredo tão secreto, que colocava em risco o país, o planeta. Uma bomba. Sucesso garantido. Meu pai, então, propôs: -Você deixa os originais, que vou procurar uma editora. E ele retrucou: -O queeeee? Os originais são secretos, não posso deixar com ninguém!
Pois é, já tive clientes que omitiam informações, algumas fundamentais para se desenvolver uma propaganda adequada. Uma trabalheira descobrir os dados!

Concorrência desleal

É claro que na selvageria do mercado existe uma concorrência feroz, tanto nas estratégias de marketing quanta de propaganda. Por fora, tudo sorrisos. Mas na hora de conquistar um cliente, é um vale-tudo! A propaganda destaca os pontos fortes do produto ou serviço, insistindo que as outras empresa não têm aquilo, ou tem pior. E também tem a guerra de preços. Da mesma forma, quando um produto, serviço ou propaganda é bem sucedido, logo surge a concorrência para atacar, falar mal ou copiar aquilo que deu certo, mudando uma coisica qualquer. Fora os “olheiros” de plantão, investigando preços e estratégias como se fossem simples consumidores – verdadeiros dedos-duros, que orientam os contra-ataques aniquiladores.

Tem pior
Pior é quando as empresas se juntam e tentam liquidar com um concorrente que está aparecendo demais. Podem fazer guerra de preço, comprar o concorrente, estrangular a distribuição ou impedir que as matérias-primas cheguem. Isto ocorre entre as pessoas: grupinhos que se unem para acabar com a vida de alguém. Equivalentes no ambiente de trabalho: “esquecer” de avisar de uma reunião ou de uma chamada telefônica, colocar na boca do outro palavras que não foram ditas, atrasar a entrega de dados e informações e daí para frente. Faça você a sua lista.

Sobrevivendo
As empresas não dormem no ponto. Quando fazem algo bem feito, alardeiam aos quatro cantos. Alguém vai copiar? Tudo bem. Agora, o mundo já sabe de quem foi a idéia. Vira propaganda positiva. Isso é tão comum, que já é praxe no mercado. Chama-se benchmark ou benchmarket, são as melhores práticas, que merecem até prêmio. Tem mais. Fazem do inimigo, um amigo. Ou o que você pensa que são as associações de classe? Escolhem os pontos em comum e trabalham juntas por ele. Utilizam também táticas de guerrilha: ações inesperadas, que surpreendem a concorrência e o mercado, deixando os outros imobilizados. Por exemplo: antecipar uma campanha de propaganda, ou usar um merchandising criativo. As táticas de guerrilha estão na moda – vamos voltar ao assunto com alguns exemplos práticos. Enquanto isto, coloque sua imaginação em campo e prepare seu plano anti-puxação de tapete.

A Estratégia
1. Junte-se ao inimigo. Descubra pontos em comum para formar aliados: melhores salários, flexibilidade de horários, maior sociabilização e daí para frente.
2. Surpreenda. Entregue o relatório antes da data, consiga uma informação inovadora. Seja pró-ativo, enfim!
3. Invista na blindagem da sua imagem. Muita gente falando bem de você mina qualquer terrorista. Para isso, insista na sua rede de relacionamento. O benchmark prega em alto e bom som: aproveite as datas comemorativas (aniversários, fim-de-ano, etc.) para marcar presença. Lembre-se de elogiar os sucessos dos colegas, dos chefes e dos que estão abaixo de você.

sábado, 8 de março de 2008

Multipla jornada - Dia Internacional da Mulher

P.: Alguém poderia, por favor, me explicar por que eu preciso trabalhar tanto? Tenho que dar conta de casa, do trabalho, da família, e ainda sair bela e faceira por aí. Para dizer a verdade, não aguento mais! Soraya, Taubate.
R.: Um dia, alguém me disse: com a tecnologia, teremos mais tempo livre. Eu acreditei! Era mentira. Hoje, trabalhamos muito mais, porque com as tecnologias da comunicação, o trabalho nos persegue em casa, no lazer, nas ferias. Tem mais: quem tem trabalho intellectual, não descança nem dormindo. Ou alguém já ouviu falar de uma pessoa que deixa de pensar enquanto dorme? Estima-se que, hoje, se dorme uma hora a menos por noite do que há 150 anos. Ajudou pra isto, é claro, a invenção da eletricidade.
Do lar
Mesmo assim, com máquina de lavar louça, roupa, secar, passar e aspirar, a responsabilidade ccontinua da mulher. Que me desculpem os homens participativos. É comum ouvir –“Meu marido ajuda em casa!”. Isso só prova que o principal é realizado pela mulher. Nunca ouvi nenhum homem dizer: -“Minha mulher me ajuda em casa!”.

O cafezinho
É tão forte este estereótipo de que a mulher precisa “servir” que, em muitos casos, nem se percebe. Em uma das agências na qual trabalhei (eu era a única mulher do grupo, pois, acreditem, naquele tempo mulher em cargo de direção era coisa rara), sempre que tinha reunião o meu chefe dizia: -Ethel, dá para pegar um cafezinho prá gente? Na primeirea vez eu fui. Na segunda também. Na terceira, comecei a me irritar. Na quarta, fiquei indignada. Antes que acontecesse a quinta vez, na primeira oportunidade, antes de dar tempo para ele pedir, eu mesma disse: -Fulano, dá para pegar um cafezinho para a gente?

Listando valores
Para construir esta imagem da mulher super poderosa – super mãe, super amiga, super profissional, super dona de casa e super amante (sim, depois de tudo, ainda é preciso ter não sei quantos orgasmos múltiplos!) – a indústria reforça estes valores. Como? Com propaganda, claro. Grupos de discussão, pesquisa, analyses psicológicas, observação de tendencies são algumas das ferramentas empregadas para descobrir os pontos críticos que vão “balançar” o consumidor. É bom notar que muitos valores são contraditórios. Tem que ser romântica e dependente, mas agressiva e independente; apaixonada e impulsive, mas racional e comedida. E por aí vai – mas sempre potencialmente submissa aos desejos do homem. Haja esquizofrenia!
Confira, em baixo, algumas propagandas de antigamente e outras atuais. O que mudou?










A
estratégia
1. Imperfeição faz parte da vida. Perfeição ideal é só isso mesmo: um ideal.

2. Não caia no conto da propaganda e defina suas prioridades. O resto, deixe para lá.

3. Aprenda a dizer não. Já falei sobre isto em outro posto, com algumas dicas. Dê uma espiada.

E aqui vai o selo que iniciou tudo isto, e que esta no blog da Lys e da Meire. Lá você encontra os links para todos que participaram desta blogagem coletiva do dia 8 de março.



terça-feira, 4 de março de 2008

Encontro inesquecivel

P.: Nos primeiros encontros, nunca sei como me comportar para ser inesquecível. O que eu faço, para não espantar o dito cujo? Às vezes, tenho ataque de risos, de nervoso! Mexo com as mãos, derrubo tudo… É para beijar? Transar? Pagar metade da conta? O que se fala? Laura, Portobelo
R.: O primeiro contato é sempre complicado. Queremos conquistar e ser conquistados, queremos deixar a concorrência comendo poeira e dizer para a torcida do contra, sempre de plantão: -Olha só! Consegui!
Mas como?

Diálogo de surdos mudos
As revistas femininas dão um conselho: não fale nada! Escute, porque as pessoas gostam de falar de si mesma… Então, deixe ele falar sobre suas conquistas. Você fica conhecendo o dito cujo e ele vai achar você o máximo.
Engraçado. As revistas MASCULINAS dão exatamente o mesmo conselho: não fale nada, deixe ela falar de si mesma, mulheres adoram falar de si. Ela vai achar o máximo, e você ficará conhecendo a fulana melhor…
Já imagino a cena, se a dupla seguir o conselho: um olhando para a cara do outro, mudos: -Fale de você… -Não, não, estou aqui para escutar você!

Segundo Ato
Se as empresas seguissem estes conselhos, jamais conquistariam algum cliente! Imagina eu, consultora, dizer para o gerente de marketing: fique ali, quietinho, esperando que o freguês venha procurá-lo para falar sobre si mesmo. Tava mortinha da silva. Vamos, então, pular este primeiro ato e partir direto para o segundo. O que se deseja, é um epílogo feliz, certo? Para isso, é importante descobrir, por vias indiretas e antes do primeiro contato, o perfil deste ser em potencial (que chamamos prospect). Como? Pesquisando. Santo oráculo Google! Comunidades, currículos, amigos… A pessoa é totalmente desconectada? Tudo bem. Amigos, família, o bairro onde mora. O estilo de roupa. A idade – sim, embora em uma mesma geração existam muitos grupos diferentes, um certo parâmetro cultural serve como referência. Tudo isto são pistas para a personalidade – basta saber ler tais indicadores. Encontro às cegas? Aprimore mais ainda a leitura imediata de sinais – e tente não projetar o que deseja no outro. Dá para acreditar que tem empresa que diz que o público é que está errado? Pois tem. Não caia nessa.

Em campo!
Depois de fazer a “lição de casa” é hora de se expor um pouco. Vale, de novo, o que se faz em marketing: eu tenho que mostrar o produto ou serviço, criando pontos de contato com o perfil do meu público, para despertar seu interesse. Não é questão de mentir, mas de colocar em destaque algo que servirá para criar um fluxo de comunicação. Música, esportes, livros, cinema, atualidades: é por aí que se vai caminhando em direção ao coração. Simples? Nem tanto. Se fosse, ninguém ficava perdido nos primeiros encontros, nem haveria lojas às moscas.

Gostinho de quero mais
Outro truquezinho é deixar um uma isca para o retorno. Tem gente que quando você pergunta: -Como vai?, responde desfiando a vida inteira! Os noveleiros de plantão conhecem bem a técnica para criar expectativa. As promoções de milhagem e pontos também funcionam assim. Para ganhar mais, você retorna e retorna e retorna novamente. Então, são aquelas frases soltas ao acaso: -Ah, tal disco? Ou, - Tal livro? Um tempero exótico – enfim, algo que se promete trazer no próximo encontro.

Resta controlar a ansiedade, e não ficar parada ao lado do telefone, horas infindáveis esperando que ele toque. Mas isto já é uma outra questão!

A Estratégia
1. Descubra o que puder sobre a pessoa. Não é invadir o espaço privado: é mostrar interesse!
2. Respeite a individualidade de cada um, sem projetar sua própria personalidade.
3. Exponha-se para criar pontes de ligação.
4. Evite querer falar tudo e mostrar tudo de uma vez só. Dê tempo ao tempo.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Seu nome mesmo...

P.: Por mais que eu faça, não consigo gravar o nome das pessoas. Sou desmemoriado mesmo! Aí, passo por umas situações muito chatas, a pessoa falando, dando oi, etc. e tal, pergunta mil coisas, e eu só tentando lembrar o nome do fulano… Tem jeito? Raul, Niterói
R.: Bota chato nisto! Afinal, nome é algo super importante: sintetiza identidade e personalidade. Por isso que a escolha do nome de um bebê é tão difícil e é a primeira coisa que as pessoas perguntam, junto com sexo e saúde! O mesmo vale para produtos - é a logomarca. Mas quem já não passou por uma situação de esquecer de um nome? E o contrário também: você percebe que a pessoa não está lembrando seu nome, ou simplesmente chama por algo parecido, mas que, de jeito maneira alguma é você! Pior é quando ligam e falam: -Adivinha quem é?

Não sei, não quero saber…
Dizem que o fato de não lembrar o nome é desinteresse. Discordo. Acho que é falta de atenção, algo totalmente diferente. Você pode estar focado em outra coisa, no que a pessoa faz e diz, e acaba esquecendo o nome! Uma vez, me aconteceu algo parecido, em propaganda. Era um grande lançamento, uma linha de televisores. Aproveitamos a época da copa e as chamadas eram do gênero: “entrou em campo a grande seleção de televisores”; “escale a melhor marca para sua casa”; tudo gravado no maior estádio de futebol de São Paulo.

Sempre tem um mas…
Antes da campanha entrar no ar, lá fomos nós apresentar na convenção de vendas. Gente do Brasil todo, auditório cheio. Vamos mostrando as peças de propaganda. Finalmente, apresentamos a grande estrela: o filme. Mal passamos, entre os aplausos, um voz lá do fundo: -Dá para passar de novo?
Gelei, mas respondi: -Claro! E lá rodamos o filme. A mesma voz: -Dá para parar quando eu pedir? Ai,ai, ai, meus sais! O que seria? Rodamos e na hora que o desinfeliz pediu, paramos.
PIMBA! Lá estava, bem grande, no muro do estádio, um painel com a propaganda do concorrente…

Nem notamos
Era tanta atenção nos produtos, nos atores, na luz, em tudo, que nem notamos. Foi gravado, editado, finalizado… Quinhentas pessoas em volta, e ninguém percebeu! Na hora, demos a volta por cima, dizendo que ainda faltavam ajustes, era só para dar uma idéia do filme. E saímos correndo para arrumar a burrada. Já pensou se vai para a TV? Milhões gastos para fazer propaganda do concorrente!
Resumo da ópera: atenção redobrada em tudo e por tudo. Assim, os nomes não vão para escanteio. O assunto da lembrança (recall) é muito importante em propaganda - e na vida. Vamos voltar com ele!

A ESTRATÉGIA
1. Preste atenção não só naquilo que lhe interessa (os comentários, por exemplo), mas também no que parece não ser tão importante (o nome).
2. Diga, re-diga e diga de novo o nome. Utilize múltiplos meios: escreva ou, se receber um cartão, no verso coloque uma referência qualquer para localizar a pessoa (evento, interesses, etc.)
3. Encontrou, não lembrou? Peça ajuda aos universitários! Ou seja, com tato e diplomacia, assim como fizemos com a propaganda em que aparecia o concorrente, admita “parcialmente” que não se lembra do nome: “Seu nome completo mesmo é…”, ou, “- Estava falando de você. Que coisa! Mas me deu um branco agora, como é mesmo seu nome?”.
4. No caso de telefonemas, reuniões e outros que tais, instrua que as pessoas sejam terminantemente anunciadas, não importa que sejam íntimas ou não. Isso vai evitar muitos dissabores.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Para viver um grande amor

P: Adoro aqueles casais que vivem muitos e muitos anos juntos… Mas, hoje, parece que todo mundo se separa na crise dos 7 anos! Como eu faço para manter vivo o amor e chegar às bodas de diamante? Karina, Lisboa
R: Dizem que romantismo é bobagem, mas acho que viver um casamento eterno é tudo de bom! Para dizer a verdade, é o sonho de todo publicitário: ter um anunciante que seja fiel durante muitos e muitos anos… Mas o que faz com que uma agência de propaganda perca um cliente? É quase parecido com os casais de hoje: tudo começa às mil maravilhas no namoro e acaba em um divórcio cheio de crises.

Acordei com vontade de…
Acontece que uma agência não perde um cliente da noite para o dia, assim como ninguém acorda de repente e diz: -Que dia bom para me separar! É tudo um processo, lento, contínuo, que vai dando sinais quase imperceptíveis. É preciso aprender a ler, para evitar a tragédia. Cliente acha o fim do mundo quando tem que ficar repetindo mil vezes a mesma explicação, porque o planejamento, a criação ou seja lá quem for, não entendeu direito ou SUPOS que era isto, quando era aquilo. Suposição é lindo em romance de mistério. Na prática, só gera ressentimento.

Pequenos grandes erros
Outra coisa: geralmente, a gente pensa que são os grandes erros que provocam a ruptura. Bobagem. Os clientes não vão embora porque a agência se enganou em um projeto. Vão embora pelo acúmulo de pequenos desleixos: é o atraso na entrega dos materiais ou na hora de chegar na reunião. O atraso pode ser pequeno, mas quando é recorrente… Ai, ai. E a falta de retorno a um telefonema, os ruídos de comunicação, os pedidos insignificantes que não são atendidos? Tem coisa mais desgastante? As grandes campanhas, estas sim, estão ali, na hora certa. Mas e o resto? Falta proatividade – as pessoas só fazem o que é pedido, nem um pouco além, nem por conta própria, sem serem demandadas. Falta, também, sinceridade – o medo de perder o famigerado cliente é tão grande, que o pessoal do atendimento já nem questiona mais o que é dito. Vai fazendo assim, no piloto automático.

Hora fatal
Quando se dão por conta, o cliente já se foi, e o contato (pessoa que faz o atendimento) fica se perguntando: - Mas o que foi que eu fiz? Ao chegar neste ponto, é porque o cliente não suporta mais aquilo que antes achava bacaninha: o jeito que o fulano respira, come e faz piadas dão nos nervos. É um ponto sem retorno. Dá para salvar a conta? Difícil, não custa tentar. A operação resgate fica para outro post. Mas o melhor mesmo é não esperar a hora de assinar o divórcio. Então, mãos à obra! Pode ser que não chegue às bodas de diamante, mas, pelo menos, passa das bodas de papel.

A Estratégia
1. Valorize os pequenos itens. A vida se vive no dia-a-dia, não no futuro grandioso.
2. Antecipe desejos e agrados.
3. Proponha coisas inovadoras.
4. Mantenha os canais de comunicação abertos e controle o retorno.
5. Treinamento para incêndio não é coisa só para gringo: é uma forma de ficar atento ao fogo e não deixar que o incêndio se espalhe. Faça o mesmo no relacionamento.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Contra a pedofilia

P.: Estou extremamente preocupada. Aqui em casa, até que eu consigo monitorar a situação, e não deixo meus filhos expostos a tudo que anda por aí. Mas muita gente vive me dizendo que isto é censura, que a vida é assim mesmo. O que eu faço? Mary, Tatuí.

R.: Há uma diferença muito grande entre censura e bom senso. Em propaganda, volta e meia, existem processos contra campanhas, denúncias e tudo mais. Geralmente dá em nada.

A raposa cuidando das galinhas
E por quê? Ora, porque quem cuida do assunto é o CONAR, o Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária. Acaba virando ação entre amigos... Geralmente, o argumento é a famigerada “liberdade de expressão”. Mas que liberdade é esta? Meus alunos acham que entrar e sair da sala de aula é liberdade de ir e vir! Ora bolas: estão, sim, atrapalhando quem deseja estudar.

O poder do dinheiro
Meu pai já dizia que, quando este um problema em que TODOS perdem, uma solução é logo encontrada. Se o problema persiste, é porque alguém ganha com isto: guerras, drogas, e por aí afora. Com pedofilia, é o mesmo.

A imagem das crianças
Valorizar a juventude, a inocência e o poder que os adultos podem exercer sobre o mundo infantil só piora as coisas. Os concursos de Miss universo infantil, com crianças maquiadas e em poses eróticas endossam esta exploração, gerando dinheiro, fantasias, e um mundo de negócios escusos. O pior: pais, mães e famílias vangloriam-se destas conquistas. Dá no que dá. A história de JoanBenet Ramsey, Pequena Miss Universo mostra a dimensão da tragédia. Mas podemos fazer alguma coisa.

A ESTRATÉGIA
1. Evitar super valorizar o erótico.
2. Estimular rotinas infantis – brincar, brincar e brincar!
3. Falar sobre o assunto.
4. Monitorar e denunciar campanhas, sites, produtos que explroam a imagem infantil de forma erótica.

PS: A ilustração de hoje é substituida pelo simbolismo do combate à pedofilia, para blogagem coletiva proposta por Luz de Luma.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Relacionamento Subliminar

P.: Até que nos encontros iniciais eu vou bem. Acelero um pouco, dou uma freada, e tudo corre as mil maravilhas. Mas na hora de realmente engrenar a primeira e ultrapassar a curva para a relação se aprofundar... Dou marcha à ré e paro no primeiro pit stop! E agora? Simone, Aracaju

R.: Pelo menos o primeiro passo você está conseguindo dar. Ou seja: conquistou o cliente, fez com que ele, ao menos, parasse um pouco, para prestar atenção na sua mensagem. Isto, em marketing e propaganda, se consegue com um pouco de maquiagem.

RETOQUES AO GOSTO DO FREGUÊS
É aquela fase da atração à primeira vista: o design do produto, as cores da embalagem. O nome do serviço. O sorriso do atendente. Um detalhe na vitrine. São pequenos detalhes subliminares. E propaganda subliminar vale? Vale, vale sim. Claro, depende da definição de propaganda subliminar. Mas estes primeiros contatos são aqueles que apelam para algo que não conseguimos muito bem definir.

PROPAGANDA SUBLIMINAR
Um livro pequeno, lançado em 1974, chamado Subliminal Seduction, de Wilson Bryan Key, provocou um grande escândalo – e deu origem a inúmeras teorias conspiratórias e de manipulação. A propaganda de fato manipula o consumidor? Ou vice-versa? Manipulamos as pessoas, no trabalho, nas relações amorosas, familiares? No livro, o autor mostra anúncios e embalagens onde imagens eróticas estão camufladas – sendo o apelo erótico um dos nossos mais fortes motivadores. Alguns destes ícones são bem famosos, como a embalagem do cigarro Camel.

SONHANDO COM AS NUVENS
A dúvida é se, de fato, as imagens foram manipuladas (quem confessaria o delito?) ou se, simplesmente, vemos formas onde nada existe? Afinal, temos a tendência de buscar ordem e figuras conhecidas – mesmo onde só há manchas. Os testes de projeção estão aí para não nos deixar mentir. Os desenhos nos azulejos – mesmo nos azulejos lisos! – também. E quem já não viu monstros ou príncipes nas nuvens do céu? A questão do subliminar, na propaganda – e nas relações – é uma via de mão dupla: o que os outros projetam para que a gente veja; e o que nós mesmos vemos.

DEPOIS DO PRIMEIRO CONTATO
Só que, com apelos subliminares ou não, tem sempre o depois. E o depois significa descascar as camadas da cebola, para ver o que de fato aquele produto ou serviço oferece. Era só uma promessa? Ou a essência corresponde realmente ao texto e às imagens da propaganda? Um produto inatingível, objeto de desejo, que fica só na imaginação, sem dúvida alguma é perfeito. Uma boa estratégia de marketing: temos aquela linha “premium”, para poucos... E depois, a comum, para nós, pobres mortais. Enquanto sonhamos com o que não temos, fica tudo em projeto. Fora da realidade, não há riscos de imperfeição – mas também não há o sabor de experimentar o conteúdo. Ficamos só na maquiagem. Coragem – e abra o embrulho. No máximo, é devolver para a prateleira!

A ESTRATÉGIA
1. Aceite que o primeiro contato é realmente subliminar e foge um pouco do controle de cada parte. Eu, por exemplo, nunca ouvi como elogio, num primeiro encontro: - Que belos neurônios você tem!
2. Aprecie esta fase de “embalagem” e “design” - mas parta para conhecer o produto de fato!
3. Tenha coragem para abrir o pacote e mergulhar no conteúdo – e vice-versa. O pior que pode acontecer? Propaganda enganosa! Mas é melhor descobrir logo, do que viver na imaginação.
4. Nem sempre o conteúdo corresponde à expectativa, mas isto não quer dizer que seja inadequado. De um tempo para se acostumar com novos sabores, novas conversas, novos pontos de vista. Afinal, curtir a vida é sempre mergulhar em novas águas!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Propaganda comparativa

P.: Sempre tem alguém melhor. Alguém que já “chegou lá”, conquistou todo o dinheiro que eu sempre quis, em dobro! O pior são aqueles comentários, que disfarçados de elogio, acabam te derrubando: -“Nossa! X anos? Nem parece!”. Ou seja: como você está velha...Tenho uma coleção destas “pérolas”: -“Mas foi você mesma que fez isto? Está tão bom!”. “-Quem diria, você sabe cozinhar!” Como assim, QUEM diria? Não agüento mais estas comparações, explicitas ou não. Bella, Salvador

R.: Comparação é algo tão negativo, que muita gente pensa que a propaganda comparativa é proibida no Brasil. Não é. Em vários países, ela faz muito sucesso. Aqui, ao contrário, as pessoas tendem a ficar do lado mais fraco, do anti-herói, do “coitadinho”, aquele que é esmagado pelo outro.

Lembrando a outra parte
Ao comparar, você acaba obrigando as pessoas a olharem os dois lados – e, muitas vezes, quem deveria sair ganhando sai perdendo, pois surge como prepotente e arrogante. A grande lição disto é que o anunciante pode comparar o quanto quiser, fazer isto depende só dele. Mas o que ele não pode é forçar como as pessoas vão reagir a tal fato, mesmo que, para se sentir por cima, tenha que colocar o concorrente para baixo.

De mim sei eu
O mesmo vale para a gente. Infelizmente, não podemos decidir como nossos pais, chefes, colegas e amigos (alguns, “muy amigos”) falarão a nosso respeito ou com a gente. Agora, o tipo de reação que teremos, isto sim é possível fazer! A reação direta – bateu levou – geralmente traz péssimos resultados. Tanto é que, em propaganda, quando comparam ou falam mal, não se parte para o confronto direto: isso só reforça a postura do concorrente. Não importa se a comparação é verdadeira ou não - as pessoas tendem a achar que é possível encarar de forma racional e distanciada as comparações: não é.

Dois pesos, duas medidas
A comparação surge porque o ser humano, para valorar alguma coisa, precisa de um referencial. A questão é QUAL o referencial que está sendo utilizado. Sou magra – comparada com as mulheres de Botticelli. Já se a referência for as top models de hoje... A propaganda, subliminarmente, tende a colocar você em situações de inferioridade, para estimular o consumo. De forma grosseira (claro que é tudo muito sofisticado, para não se perceber a estratégia), a mensagem é: - Tem gente mais bem sucedida, mas atraente, mais sexy, mais feliz, mais rica, mais inteligente, mais ... (coloque aqui sua qualificação preferida). Para ser como elas, compre isto ou aquilo, faça isto ou aquilo.
Detalhe: não são só produtos. São também mensagens: trabalhe mais, seja de direita (ou de esquerda), seja voluntário, politicamente correto, bonzinho, etc. A comparação, muitas vezes, está tão escondida, que a gente nem percebe.

A defesa
Se alguém coloca você sempre para baixo, hora de pensar se você concorda com ela (já que se afeta tanto com isto!). Se sim, por quê? Conhecer as razões não resolve tudo, mas já é um grande passo para isto. Quando sai uma propaganda comparativa, que tenta derrubar o concorrente, a primeira coisa que eu faço é examinar o que está por trás da comparação. Afinal, se para se promover preciso do outro, então é porque tenho algum ponto fraco, algo obscuro, que tento esconder. Será mesmo? Garanto: geralmente tem, sim senhor. Conhecer que o outro também é imperfeito não nos faz melhores, mas é reconfortante. Já deixo de me sentir o a mosca do cocô do cavalo do bandido!

Brifando a própria vida
O briefing é o conjunto de informações que servem para elaborar a estratégia de marketing e comunicação. Dentre outras coisas, traz os pontos fortes e fracos da empresa e dos concorrentes. Nunca encontrei um briefing que fosse tudo de bom ou tudo de ruim. Ao analisar estes dados, coloco em destaque o que há de melhor e proponho ações para melhorar o elo mais fraco. Por isso, sempre existe luz no fim do túnel: siga a sua chama e saia para o a vida!

A estratégia
1. Faça seu próprio briefing: liste pontos fortes e fracos, entre outras coisas.
2. Repense como você está reagindo ao que os outros falam e fazem.
3. Antes de agir precipitadamente, bole um plano de ação, uma rota de fuga. Por exemplo: buscar outro emprego, pedir transferência, fazer um curso, tentar um apoio terapêutico, aprimorar habilidades de fala, a inteligência emocional e daí para frente.
4. Não confunda o que você é e seu potencial com o que os outros dizem, nem que para isto seja preciso escrever milhares de papeizinhos e esparramar pela casa ou na tela do computador. Os mantras existem há milhares de anos. Alguma sabedoria há neles!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO

P.: Tenho absoluta certeza que a Terra está girando mais rápido. Simplesmente, não consigo dar conta de fazer tudo que planejo para o meu dia! O mínio: 25 horas! Resultado: os papéis se acumulam, fica tudo pela metade... Soraya, Campo Belo
R.: Administração do Tempo – está disciplina deveria ser obrigatória nos dias de hoje, do maternal ao pós! Em propaganda, vivemos correndo contra o tempo (por isso, é considerada uma das profissões mais estressantes, junto com quem trabalha na área de saúde, bancários e, obviamente, a SUA profissão!), as vezes presos ao passado (que já se foi), outras angustiados com o futuro - que não chegou!

ESPAÇO RESERVADO
Uma das coisas piores que podem acontecer a um publicitário é ver sair, no jornal, um espaço em branco. No meio, em letras miúdas: espaço reservado pela Agência Tal. Às vezes, o jornal consegue colocar um calhau, ou seja, alguma coisa de última hora, para preencher o espaço em branco. Mas nem sempre faz isto. O que aconteceu? A agência reservou o espaço, mas não entregou o material em tempo. Fora a vergonha, tem que pagar a conta...

PREJUIZOS EM TODOS OS NÍVEIS
A falta de tempo, o acúmulo de coisas, faz mal para o corpo, para a alma e para o bolso, como se pode perceber. Então porque insistimos em abraçar o mundo, quando deveríamos abraçar somente nosso bairro –e olhe lá? A culpa, com certeza, não é do relógio: se existe algo democrático neste planeta, com certeza é ele! O dia tem 24 horas para ricos e pobres, homens e mulheres, crianças e velhos. O que cada um faz a cada tic-tac depende da própria pessoa.

SÍNDROME DA IMPORTÂNCIA
Infelizmente, apesar de Domenico de Mazzi, autor do livro O Ócio Criativo, fazer nada (desculpem o paradoxo!) está associado com vagabundagem, preguicite aguda, pecado capital e outros que tais. Ao contrário, estar sempre ocupado, correndo de um lado para outro, a mesa cheia de papéis significa poder, cargo de chefia: -Vejam só! Não tenho tempo para nada! Nem para mim... Pois é: tem gente que tem medo de ter tempo para si mesma, de se enfrentar e pensar sobre a própria vida. Mas existem outras razões para o corre-corre infernal.

TAMBÉM PUDERA
É que a falta de tempo pode representar um escudo – e um bom escudo, diga-se de passagem – para eventuais críticas. Afinal, proclamarão os incautos, antecipando-se a qualquer senão, - Tive tão pouco tempo para fazer isto... O que vocês queriam?” E se o elogio vier certeiro, mais um motivo de orgulho: -“Vejam só, mesmo assim consegui este resultado fantástico! Imagine se eu tivesse mais tempo...”

EVITANDO AS ARMADILHAS
O único problema é que, além da já mencionado risco de stress, de fadiga e perda de dinheiro, a desorganização do tempo também aumenta as chances de erro e impede que você realmente aproveite a vida com o que gosta – ou com quem gosta! O círculo vicioso é que, sem tempo, não dá para organizar o próprio tempo. Ataque o mal pela raiz. Descubra os motivos que fazem com que o tempo seja seu dono e senhor, e não o contrário. E lembre-se que existem vários tipos de tempos: o real, o psicológico, o seu e o dos outros. Ou você nunca viu o tempo “passar voando”? Para aqueles que estão aflitos, pois já se passaram quase 60 dias, ou seja 1.440 horas, ou 86.400 minutos do ano de 2008, e as coisas continuam na mesma, melhor arregaçar as mangas e dominar este tirano, o relógio!

A ESTRATÉGIA
1. Adote a hora médica (quando os médicos ainda respeitavam os pacientes e marcavam as consultas com folga): imagine que cada hora tem 50 minutos, ou seja, deixe um intervalo entre uma atividade e outra, para imprevistos.
2. Lembre-se dos compromissos invisíveis: muitas pessoas, ao organizar as atividades, esquecem do inter-tempo. É o tempo para aqueles atos que não aparecem: escovar os dentes, vestir-se, se despedir dos filhos, preparar um lanche, até mesmo se locomover de um lado para o outro.
3. Faça aniversário antecipado: marque na agenda os prazos fatais com alguns dias de antecedência – funciona!
4. Evite a Síndrome da perfeição. Contente-se com o possível.
5. Aprenda a dizer não, para evitar se sobrecarregar. O amor não vai embora com isto, mas o respeito chega e rende bons frutos. Isto já foi assunto aqui.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Curriculo,parte II: a primeira impressao

P.: Eu sei que o assunto já passou por aqui: currículo. Agora, com o currículo da Carla, é fácil! Tem uma montanha de coisas. Mas e no meu caso, que estou começando? Jayla, SP

R.:
Está certo, Jayla: é difícil, mas não impossível. Afinal, todo dia tem novos produtos no mercado, serviços que começam e são mais simples, sem uma história de referências por trás. Há sempre uma primeira vez: um primeiro namorado que se conquista, um primeiro emprego. Como estas empresas fazem para alcançar seus objetivos? Que estratégias usam, quando há pouco para dizer?

Não enrole
Muita gente coloca no currículo uma montanha de informações desnecessárias, utiliza espaço 2, letras garrafais. É o caso de tanta informação desnecessária sobre o produto, querer agradar a tudo e a todos: não se conquista ninguém. Outro dia destes, estava na casa de um parente, que está com câncer. No caso dele, um dos efeitos colaterais da químio é a perda de peso. Aí, veio um amigo, para oferecer um composto alimentar. Com seu papo de vendedor, teceu loas e boas sobre o produto, que engordava, era ótimo, etc. e tal. Eu, para quebrar o gelo, interrompi: -Ah, deste produto eu quero distância! Estou precisando emagrecer... Ele, imediatamente, virou-se e atacou: -Emagrecer? Ah, mas também é ótimo para quem quer perder o peso e...
Não sei como não caí na risada na hora! Portanto, foque no que de fato quer.

Coerência é importante
As pessoas fazem muitas coisas na vida, mas é importante, no currículo, que estas diferentes ações fiquem em um mesmo pano de fundo, não pareçam um “destrambelho” total: em propaganda, destacamos as qualidades que têm algo em comum, que não “brigam” entre si. Utilize palavras-chaves importantes para que quem está lendo. Hoje, em recursos humanos, a moda é competências, habilidades, pró-atividade, ser especialista E generalista (se é que isto é possível!).

Testemunhal sempre cai bem
Quem não tem muita estrada, pode agregar um testemunhal, alguém que “assine em baixo”. Isto é super utilizado em propaganda. Uma coisa é eu falar bem de mim mesma, outra, muito diferente, as pessoas comentarem positivamente a meu respeito. Vale quando a gente quer conhecer alguém (não é bom quando um amigo ou amiga nos apresenta, nos valorizando, ou quando alguém recomenda nosso blog?), vale para emprego, vale para produtos. Pode ver como tem propaganda usando testemunhal (falsos e verdadeiros!). No caso de currículo, claro, tem que ser verdadeiro.

Fora com o que não interessa!
Se já têm no título “Cursos”, não precisa a cada item repetir: curso disto, curso daquilo... Também não precisa dar a ficha corrida da sua vida: RG, CPF, pai, mãe, avós, nome do periquito e do papagaio. Se for necessário, a empresa vai pedir. O negócio é passar na primeira etapa. Ou por acaso você já viu alguma propaganda que começa com a bula do remédio ou com a tabela de ingredientes? Tem que fazer o fulaninho pegar o produto. Depois, ele vai ver o resto. Ou seja: não subestime o seu público.

Como exemplo, estou postando aqui o currículo que uma ex-aluna me enviou, pedindo ajuda. Veja o Antes e o Depois (clique no currículo para ampliar).

ANTES DEPOIS

PS: E se alguém souber de alguma coisa para ela... Favor entrar em contato!

A ESTRATÉGIA
1. Defina o que quer.
2. Destaque os pontos fortes, com coerência.
3. Não encha lingüiça, mas também não precisa ser “seco”.
4. Mostre seus diferenciais e os benefícios que pode oferecer.
5. Controle o retorno e vá aprimorando o material.

Mais sobre currículo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

MAU CARATER

P.: Eu sempre me envolvo com os homens “errados”. Dizem que as mulheres tem sexto sentido... No meu caso, acho que são os homens! Os aproveitadores conseguem “farejar” minha presença, me envolvem... Não é só aproveitador de money, é aquele sujeito que te põe para baixo, você fica esperando o “eu te ligo” e nada. Socorro. Ma. da Graça, Recife

R.: Infelizmente, este sujeitinho folgado tem tudo a ver com propaganda. Deve ter feito um MBA expresso em publicidade e marketing! É que meus coleguinhas são experts em detectar nossas fragilidades para nos fazer comprar e consumir cada vez mais. O único jeito de se defender disto é descobrir COMO nosso íntimo fica tão transparente para os outros!

Focus Group
Para descobrir o que a gente pensa, quer, o que nos motiva e atrai, as empresas realizam pesquisas qualitativas, geralmente entrevistas em profundidade ou discussões-de-grupo, utilizando abordagens da psicologia, testes de projeção, salas com espelho falso e tudo que a invenção humana bolou para desvendar os mistérios da alma. Depois, usam isso para colocar no design de produtos (e não conseguimos resistir!) ou nos apelos publicitários. Confira alguns destes “atratores”, que, aliás, são exatamente aqueles que os homens muitas vezes empregam...

Culpa
Mesmo que inconscientemente, comprar gera culpa. Por que comprei isto e não aquilo? Por que comprei tal coisa para mim, ou para o fulano, em detrimento de outras prioridades? Culpa, culpa, minha máxima culpa. Bem, diz a propaganda, não se sinta culpada pelo que fez ou deixou de fazer! Este produto, este serviço, ou seja lá o que for, é necessário, tem a aprovação de todos, é bacana e, portanto, você também é bacana!

É o amor...
Sentir-se integrada a um grupo, a sensação de “pertença” (ora, não é justamente isto que está carimbado na testa de cada adolescente?) nos acompanha até a morte... Ser diferente quer dizer fazer parte de um grupo – o grupo dos diferentes! Para pertencer a um núcleo, abrimos mão de muita coisa: mudamos hábitos de alimentação, roupas, comportamentos (faça a sua lista). Mas estamos seguras: somos amadas! Pertencemos ao grupo. Infelizmente, os homens sabem disto.

No tempo da minha avó
Sim, outro grande motivador é a necessidade de segurança. É por isso que dentre os sonhos mais desejados dos brasileiros estão a casa própria (segurança de ter onde morar) e passar em um concurso público (segurança do emprego). A propaganda coloca imagens que transmitem segurança: é a vovozinha, os ambientes nostálgicos, enfim, tudo que remete a um passado mais tranqüilo e sem stress. O mau caráter também tem sua aura de segurança: ele consegue sair-se bem em todas! Tenho uma amiga que se envolveu com um gigolô! Sério... Universitária (aliás, publicitária), graduada e tudo mais. A história fica para outra, inclusive, como foi que nós descobrimos...

Para fugir disto é necessário armar-se com unhas e dentes – seja para evitar cair nas armadilhas da propaganda (e dos homens!), seja para cair fora. Aliás, as mesmas estratégias “pega freguês desavisado” pululam na internet, pois já estamos cercados de contos do vigário virtuais.

A ESTRATÉGIA

1. Menos, menos, menos. Sim, quem alardeia demais, geralmente tem pouco conteúdo. As pessoas mais bacanas que conheci eram as mais humildes. As mais “gargantas” eram as complicadas.
2. Consistência e coerência. Confira se há integridade nas ações e na fala. Nos amigos e na família. Impossível ser o “certinho do pedaço” e conviver com gente que é machista, fala mal das mulheres e conta aquelas piadas que a gente quer morrer...
3. Olhe para dentro. É, olhe para dentro de si! Doidinha para mergulhar num bolo de chocolate por que o chefe deu uma bronca? Não resiste a uma compra depois de brigar com o amado? Sinal de alerta! Você está virando presa fácil para os marketólogos de plantão... E para os pulhas do bar da esquina.

Por falar em pulhas... Veja neste site como não cair nas enganações da internet. E você? Já passou por uma destas situações enroladas? Como saiu dela?

sábado, 19 de janeiro de 2008

Sogras e sogrinhas

P.: Minha sogra é bacana, mas tem vezes que dá nos nervos! Ela quer ajudar TANTO que acaba se intrometendo em tudo – resolve limpar a casa, deixar tudo em ordem, cozinhar, usar roupas e fazer coisas que nem minhas filhas adolescentes fazem! Não quero brigar, mas... Nilza, Santos

R.: Convivência com parentes é sempre complicado, ainda mais os que vão se agregando pelo caminho. Aliás, conviver, de todas as formas, é complicado: na família, no trabalho, com os amigos. Importante perceber a mensagem oculta, tanto a que você recebe, quanto a que ela envia (não são necessariamente a mesma coisa).

INVASÃO DE ESPAÇO
De um lado, está você. A invasão do seu espaço pode se dar de formas sutis: ao arrumar a sua casinha (com a desculpa de querer ajudar...) a mensagem pode ser: você é mesmo incompetente! Nem para manter a casa em ordem! Ou: onde já se viu, fica trabalhando, e não consegue cozinhar uma comidinha gostosa. Pior: se tiver filhos, há aquele olhar de complacência, tudo sorrisos. Mas tem certeza de que eles não estão muito magros? E daí para frente. As interferências são inúmeras e nem sempre tão diretas. Apenas causam um vago mal estar.

NÃO SE ESQUEÇAM DE MIM
Por outro lado, a amada sogrinha pode estar simplesmente enviando seus dados para dizer: estou aqui! Ainda não morri. Sou útil, necessária e jovem. Se não fosse eu... (o que até é verdade: se não fosse ela, o pimpolho que se transformou em seu bem amado não teria nascido). Mas como convencer uma pessoa que ela não precisa impor sua presença, nem competir em forma, gênero, número e grau para ser amada?

PALPITES DEMAIS
Democracia é bom, but... Palpite demais faz um estrago! Em propaganda, tem que ter paciência de Jó. Todo mundo quer por seu dedinho – afinal, clientes são alfabetizados, acham que sabem escrever, por que não mexer no texto, nos títulos? Pronto. Está feita a meleca. Esta história da criação de uma placa dá bem uma idéia de como fica quando todos metem o bedelho. O dono de uma famosa peixaria resolveu que era hora de fazer propaganda, afinal, é chique, não é? Modelos famosas, badalação... Depois de muita pesquisa, escolheu-se a agência. Primeira tarefa: sinalizar a entrada do empreendimento, com uma condição: usar azul, que lembrava o mar. O diretor de criação fez uma linda placa: “Aqui vende-se peixe fresco”. Levou para aprovar o layout. Discute-se daqui, discute-se dali, o diretor administrativo falou: - Olha, está lindo, mas (sempre tem um mas...), por que Aqui? O-B-V-I-O que é aqui, e não ali. Pois a placa não vai estar aqui? E lá se foi o diretor de criação, refazer a placa. Voltou: "Vende-se peixe fresco". Novas discussões. Novas confabulações. Então o diretor financeiro resolveu falar – Posso dar meu palpite? Ficou lindo, mas... Por que vende-se? Aqui não é uma entidade filantrópica, ninguém vai dar os peixes de graça. Volta o diretor de criação, já soltando fumaça pelas bufas. Nova placa: "Peixe fresco".

Quando está mostrando, passa o office boy. O dono da empresa chama: -O Juquinha, você que está sempre em contato com os clientes. O que acha da placa? E o Juquinha – Tá linda, mas... Para que este fresco? Ninguém vai vender peixe podre, vai? E afinal, fresco é uma palavra assim, pode complicar a empresa... Finalmente volta o diretor de criação com a placa, em letras garrafais: PEIXE. A mulher do cafezinho entra na sala e o dono não resiste: - Dona Maria, que é a voz do povo, o que acha? Ela pensa, pensa, e responde com seu olho arregalado: - Mas seu dotô, pra que placa? Nóis sente o cheiro do peixe lá de longe! E lá ficou a placa. Azul. Sem nada escrito.
Pois então, quando todo mundo mete a colher...

A ESTRATÉGIA
1. Não precisa excluir ninguém, nem a sogra. Mas defina os campos de atuação com clareza: o que é responsabilidade de cada um.
2. Por exemplo: se ela gosta de limpar ou cozinhar, especifique o quê, quando e onde: na sua casa, na dela?
3. Perceba até que ponto é você que abre espaço para a invasão, ou a intrusão é espontânea mesmo. Muitas vezes, pede-se a opinião por insegurança. Abriu a porteira, passou a boiada.
4. Defina, para você mesmo, o que é zona exclusiva – importante para você – e o que não é. O que é mexível, o que é imexível.
5. A equipe –você e o amado -, precisam estar de acordo ANTES de discutir com a agência (no caso, a sogrinha!)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

PARA SER LEMBRADA

P: Dizem que as mulheres estão sempre atrasadas, mas vou te contar... Meu namorido é o Rei do desligamento. Posso dar mil e um toques para ele fazer isto ou aquilo, lembrar de uma data especial ou um programa bacana. Ele nem está aí, recusa TODAS as indiretas. Agora, do futebol, ah, isto ele não esquece nunca! Como é que eu faço para concorrer com as peladas – as peladas de futebol, bem entendido? Mônica, Rio

R:
Este é o problema de qualquer empresa ou propaganda: como fazer para o cliente lembrar de mim? Como fazer para que ele opte por ficar com esta ou aquela marca, e não outra? E mais: depois que o cliente opta, como fidelizá-lo, ou seja, fazer com que ele retorne e lembre sempre que somos os tais?

EMPRESA INGRATA
Tem empresa que só se preocupa em conquistar novos clientes: oferece do bom e do melhor, descontos, brindes, mimos e afagos... Agora, aqueles que estão lá, firmes e fortes... Coitados! Ninguém os escuta. Esta situação do “já ganhou” pode levar a empresa a ficar em maré mansa – e o cliente irritado acaba abandonando-a por outra mais atenta. Com certeza você já deve ter vivido situações assim, cada vez mais comuns na telefonia, TV a cabo e sistema bancário, para falar só de alguns setores. Os clientes assinantes são assassinados e ignorados! Portanto, é preciso investir um pouco nesta relação cliente-empresa. No caso, nas relações afetivas.

XÔ, ROTINA!
Em propaganda, a gente sempre ataca em duas frentes: uma, é relembrar constantemente aquilo que o produto é ou faz, ou seja, porque ele foi escolhido. A outra, é dar um tratamento diferente para esta informação, porque senão, quem está vendo o comercial passa rapidinho por cima... Precisa ter um equilíbrio entre a novidade – que dá aquela balançada e chama atenção, tirando a pessoa da sua mesmice e fazendo ela lembrar: – Opa! Isto é bacana! E subliminarmente, induzir –Claro, você já sabia, é isto mesmo... Muitas vezes, a mensagem tem que ser motivadora, mas direta – ou quem está do outro lado não entende nada! Ruídos de comunicação.

NÃO ESPANTE O FREGUÊS
Não dá para fazer uma virada total, porque isto assusta, mas pequenas modificações quebram a rotina e causam certo clima de incerteza: lembrar de quanto é necessário manter gestos de atenção, mesmo com antigos clientes, amigos, parceiros. Um pouco de risco e criatividade faz bem ao corpo e à alma. Em propaganda, falamos para “não tirar o macaco”. É que quando apresentaram o roteiro do King Kong, o primeiro produtor falou assim: - Maravilhoso! Só não gostei do macaco. Dá para tirar?
Portanto, não é para espantar, mas também não elimine o que é essencial para fazer a diferença. E vale a pena insistir: a repetição é uma das chaves da propaganda. Nós sabemos: por mais lindas que sejam as pernas femininas, concorrer com as pernas futebolísticas é páreo duro! Chega a ser concorrência desleal. Mas lembre-se que até os líderes acabam desbancados: - mire-se no exemplo do Corinthians. Seu dia chegará.

A ESTRATÉGIA
1. Relembre os pequenos detalhes que foram utilizados para conquistar esta pessoa.
2. Faça um up grade nestas abordagens, para despertar a curiosidade e criar uma zona de incerteza.
3. Mude códigos, linguagem e abordagens, se não estiver tendo sucesso.
4. Não desista! O mantra da propaganda é “continuidade”.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Trair e coçar

P: Quem nunca deu uma escorregadela? O que eu quero saber é se devo ou não contar para o meu amado de todos os dias que, bom, sabe como é, que acabei tendo um casinho com outro. Zuleika, SP
R:
Zuleika, existem vários aspectos envolvidos nisto. Primeiro, é preciso definir o que é trair: um beijo? Abraços e amassos? Transar? Só pensar? Pensar muito em outro? Ter uma segunda relação em paralelo, estável? É importante que os dois lados falem a mesma linguagem. Se não... confusão na certa! Em propaganda, é o que a gente chama de ajustar o código. Quando vamos criar uma campanha, recebemos o “briefing”, que são as informações nuas e cruas. Destes dados, selecionamos o que é vital e importante para o público-alvo e descartamos o resto. Isto não tem nada a ver com propaganda enganosa, que é outra historia. Omitir é diferente de mentir. Ou não?

QUAL O SEU PACTO?
Por exemplo: importa para o cliente saber que a rebimboca da parafuseta é feita de aço cromado etc. e tal? Se não importa, para que colocar na mesa esta informação? Talvez o que ele deseje é luxo. Ou velocidade. Ou economia. Sabendo disso, fazemos um pacto com o cliente: você paga X e recebe em troca Y. Este pacto faz parte do jogo, e quando é rompido, o cliente sente-se traído. As reclamações no Procon não nos deixam mentir. Portanto, descubra o pacto que você tem com seu parceiro. Agora, atenção: existem pactos implícitos e explícitos. Tem mais: os pactos podem se modificar, porque as pessoas mudam com o passar do tempo.

EFEITOS COLATERAIS
Outra coisa importante, quando estamos criando a propaganda, é descobrir os “efeitos colaterais” – se eu disser isto ou aquilo, usar esta ou aquela imagem, que desdobramentos isto vai ter? Existe muita discussão em torno desse assunto, principalmente nas questões que envolvem preconceitos – usar ou não negros, mulheres magras demais, velhos e daí para frente. Às vezes, ao querer ser politicamente correto, exagera-se na mão e obtém-se justamente o efeito contrário. Portanto, ao contar, ou não contar, quais serão as repercussões que você vai ter? Você está contando por você, ou pelo outro? Em propaganda, muita gente faz lindos anúncios para si mesmo e o resultado é zero, ou pior.

PROPAGANDA NEGATIVA
A campanha abaixo foi desenvolvida para estimular o uso de camisinha. É um texto em estilo testemunhal (na primeira pessoa). Foi feita pela W/Brasil, uma agência bem famosa (não fui eu quem criou, nem o autor - mas anúncio é público, então dá para usar, né?). Ela tem tudo de ruim que você não deve fazer em uma estratégia... O que quero destacar aqui é um pedacinho só: “Depois de 3 meses de namoro, a gente foi fazer teste de HIV (que deu negativo) e fizemos um pacto: a gente não usa mais camisinha, mas se algum dia rolar uma transa fora do casamento, só se for de camisinha.” O problema é justamente este: o pacto. E como fica, se transar fora e sem camisinha? Como vai falar? Outra campanha era uma que falava algo assim, para a mulher: “Você vem em primeiro lugar.” E o mesmo blá,blá, blá de sempre. Só que... Em várias pesquisas realizadas, a gente já descobriu: a mulher RARAMENTE se põe em primeiro lugar. Primeiro são os filhos, depois o companheiro, depois o trabalho... Pode por um montão de coisas na frente e, lá embaixo, vai estar ela própria. Assim, de que adianta apelar para isto? Confira como não funciona.

Para descobrir o que fazer, leve em conta estes aspectos e táticas.

A ESTRATÉGIA
1. Pense no acordo que existe na relação.
2. Defina o que é ou não importante para você, para o outro e para os dois.
3. Visualize as conseqüências de falar e de não falar.
4. Seja qual for a opção aborde o tema utilizando o código e a linguagem adequada. Ferir e magoar os outros não leva a nada!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Currículo, a sua propaganda

P.: Ok, da minha lista de promessas, a que vai ter mais impacto se eu realizar é conseguir um trabalho bacana (leia-se: que pague melhor). O problema é o currículo... Como dá para fazer um mais legal? Marialva, Itajaí.
R.:
O currículo É uma peça de propaganda (assim como os cartões de visitas). Ele esta “vendendo” o que você faz – e quem você é. Ou seja: quando se constrói um currículo, é preciso pensar em que irá ler este currículo. Portanto, esqueça ter um material “pau para toda obra”...

TIPOS & TIPOS
O currículo deve ser criativo? Mas o que é “criativo”? O que é bom gosto? Há um tempo atrás, montei um currículo para uma fonoaudióloga com formação na Alemanha. O problema é que existe uma concorrência grande nesta área. Então, dei a seguinte idéia para ela: especializar-se em atender empresários, que utilizam muito a voz e precisam desenvolver suas competências na área da comunicação oral. Criei um nome fantasia para o serviço, que ela passava a oferecer, agregando os vários cursos que ela tinha realizado: Biovoice, que encabeçava o currículo. Ela passou a atender tanto no consultório, quanto dentro das empresas. Coloquei o nome em inglês justamente para atrair o empresariado. Deu super certo, tanto, que ela me recomendou uma outra amiga, para eu fazer um outro currículo. Só que, ao conversar com ela, descobri que o currículo era para concorrer a um cargo de professora. Ora, aí, não tem o que inventar, existe um padrão que é adotado pelas instituições. No Brasil, é o Currículo Lattes. Portanto, é importante verificar se a empresa ou instituição na qual você se candidatará já não possui seu próprio padrão.

DETALHES IMPORTANTES
Feito isto, é hora de se organizar. É importante analisar friamente os pontos fortes e fracos de seu currículo, para tomar medidas corretivas, ou seja, melhorá-lo com o passar do tempo. Fazer um up grade. É engraçado que quanto MENOS a pessoa tem para colocar, MAIS ela ocupa espaço. Pessoal altamente qualificado consegue sintetizar seu currículo em não mais que duas páginas. Já quem está começando, às vezes entrega currículos com 5, 6, até 8 páginas, portfolios com dezenas de peças... Isso é que é enrolar, o resto é brincadeira. Foco no que se quer, mostrar resultados, eliminar o supérfluo – isto conta pontos.

JORNALISTA
Aqui, um exemplo de um currículo que preparei para a minha amiga Carla. Ele me enviou o material “a seco”, ou seja, os dados e nada mais, um currículo no formato tradicional.
Mas, neste caso, como jornalista, ela poderia mostrar sua criatividade e formação na montagem do próprio currículo. Optei por montar no formato de “news letter”, ou seja, um material que a mídia utiliza muito para enviar e receber notícias. Isso já destacava o conhecimento dela na área. Também inclui fotos (que usualmente fazem parte em news letters) porque, neste caso, interessava mostrar que ela também atuava em televisão, como repórter. Confira o resultado ao lado. Tenho outros exemplos (um, do meu próprio currículo – sim, também fiquei desempregada!) e de pessoas que estão começando, ou seja, que não possuem tanto assim para colocar no papel. Fica para outro post!

A ESTRATÉGIA
1. Verifique o estilo da empresa e da pessoa que irá ler o currículo.
2. Seja criativo, mas com objetividade.
3. “Enfeitar” não é o mesmo que “mentir”. Coloque o que fez de fato.
4. Mostre o currículo para outra pessoa, que poderá apontar eventuais problemas. Melhor os amigos fazerem isto do que o futuro empregador, não é?
5. Procure incorporar um diferencial no seu currículo. Se não tem, corra atrás!