P.: Tenho uma profissão estável, sou reconhecida no meio. Nada de grandes fortunas, mas pobre não posso dizer que sou. Só que ando insatisfeita, penso em mudar de área. No entanto… Será que é tarde? E se der errado? Já passei dos 30! Marta, GoiâniaR.: O quanto “tarde” é tarde? Mudanças são sempre um desafio – e o “errado” depende daquilo que você considera “certo”.
As expectativas
O mundo do consumo está cheio de mudanças – para o bem e para o mal. Também para os executivos tais decisões são difíceis. Tive um cliente que havia desenvolvido um novo produto: uma pasta de dentes com perfume de rosas. É, isto mesmo. Não posso falar o nome porque a empresa é e-n-o-r-m-e e existe até hoje. Fomos a campo, para testar o produto. Bem, vocês podem imaginar o resultado. Por nossa própria conta, testamos na classe E, que adorou. Só diziam: -Imagina eu, no bailão, falando e soltando rosas pela boca!
Só que o cliente queria lançar para a classe A. E para convencê-lo que não ia dar certo? Mudar de idéia já é difícil, imagina mudar um produto, uma vida. A Kodack, só após amargar enormes prejuízos, decidiu dar uma guinada e entrar na era digital. O mesmo vale para a Xerox. Valisére. A lista é infindável, ultrapassa o mundo corporativo.
Gente que virou a mesa
O número de escritores, músicos, artistas e cia. que estão por ai, fazendo e acontecendo, também serve de exemplo. –Espera aí, você pode dizer. Isto é gente com talento incomum, nós estamos aqui falando de quem tem que pagar as contas todo dia, réles mortais.
O número de anônimos que busca novos caminhos também é significativo. Uma das explicações é simples: a expectativa de vida aumentou, o número de opções profissionais também. O que antes se resumia a 25, 30 anos de vida profissional, hoje mais que duplicou: continua-se estudando, aprendendo, trabalhando (e todos os “andos” que você quiser!) até os 70, 80 anos. E, no entanto, sempre dá um medinho de mudar.
Queimando navios
Muitos imigrantes conquistam a nova terra, para espanto (e inveja) dos que nela já estão. Qual a diferença? De onde vêm tanta coragem? Existem muitas explicações. Destaco duas: os imigrantes não têm nada a perder e não possuem uma rede de apoio. Isto significa que precisam dar tudo de si, sem contar com mais alguém. Os navios são queimados, não há retorno possível. É o mesmo estímulo que faz o sucesso dos jovens empreendedores, que vendem tudo para investir na sua idéia. E se der tudo errado? Isto está fora de cogitação. O não abrir mão do pouco que se tem é que impede as pessoas de arriscarem. Vive-se com um olho nas conquistas passadas – ignora-se o futuro, até que ele chega, implacável, exigindo mudanças. As empresas fecham os olhos para os funcionários desmotivados, clientes descontentes, concorrência agressiva. Quando percebem, saem correndo atrás do prejuízo, como já vimos. Muitas desaparecem – esperaram demais para reconhecer que a mudança de rota era fundamental. Portanto, alerta para os sinais que indicam a hora de virar o leme e navegar em outras direções. Se você terá sucesso? Isto já é assunto para o próximo post.
A estratégia
1. Alerta para os sinais que indicam problemas: vontade de largar tudo, irritação, mal estar indefinido, falta de energia, pensar alguma coisa, uma sugestão, mas silenciar.
2. Lista infindável de justificativas para manter a situação (como se quisesse convencer a si mesmo).
3. Chorar as pitangas em outra lista de tudo que pode dar errado, se mudar de atitude.
4. Agora, encha-se de coragem e escreva o epitáfio da sua vida, como ela é, se você morresse hoje. Depois, o epitáfio como gostaria que fosse. Não gostou das diferenças? Hora de agir.





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