
P: Não sei o que acontece comigo. Sou dedicada, faço um excelente trabalho. Para dizer a verdade, bem melhor do que muita gente que anda por aí! Mas na hora da promoção ou de conquistar uma vaga melhor, só vejo os incompetentes vencerem! Tem explicação para isto? Verônica, Taubaté
R.: A boa notícia é que tem, sim, Verônica, explicação para isto. E dá para mudar. A má notícia, é que não é fácil: você terá que quebrar algumas rotinas. Por exemplo: encarar de frente que Papai Noel não existe!
O fim da fantasia
Como assim, não existe? O que Papai Noel tem a ver com esta história? Tudo a ver. Acreditar que o mundo é perfeito, cor-de-rosa, e que recebemos presentes por bom comportamento, dedicação e competência é apenas uma parte da história. A outra parte, é que não estamos sozinhos no mundo e, portanto, é preciso jogar conforme as regras. Isto inclui utilizar outras ferramentas para “chegar lá”.
O jogo sujo
Então precisa puxar o tapete de todo mundo, mentir e badalar os chefes? Claro que não! Mas no mundo dos negócios, é um erro comuns dos empresários: agem acreditando que um bom produto vai ter sucesso sozinho no mercado. Bobagem. Tem que ser bom E ter uma estratégia de propaganda e marketing. Caso contrário… fracasso total. Até os que dizem não usar estrtégia –bem, isto já é uma estratégia (como os produtos sem marca). Lembro, em Floripa, de uma loja de bagels que abriu perto do shopping. Bagels é um pãozinho delicioso, que fez a fama de New York. Que saudades de um bagel quentinho, com o aroma se esparramando pela casa toda e a manteiga derretendo em cima! Pois bem, voltando a história e deixando as calorias de lado. O homem abriu o ponto (que era muito bom) com os bagels. E ficou atrás do balcão, esperando a clientela. E ficou esperando e esperando, até fechar as portas. Eu estive lá umas duas vezes – sempre às moscas. O produto era bom… mas, quem em Floripa, sabia o que era um bagel? Eu mais meia dúzia de pessoas. Ou seja: era necessário divulgar, fazer propaganda do produto. Se não falar, quem vai saber?
A modéstia por religião
Um dos mitos culturais que se aprende desde criancinha é que é necessário ser modesto, que o esforço será sempre recompensado e reconhecido. E assim, tudo fica como dantes no quartel de Abrantes: nada muda, seja na vida pessoal, seja na vida empresarial. Bom para quem está por cima da carne seca, péssimo para quem deseja mudar de posição. Este mito é tão forte, que quando alguém fala bem de si mesmo, costuma incluir alguma frase de auto-desvalorização, como: -Bem, é verdade que o trabalho é fácil; ou –Estou acostumado com isto; etc. etc.
As outras pessoas já olham desconfiadas. Se é preciso divulgar, mas falar de si mesmo é problemático, como fazer? Em propaganda, a saída encontrada é utilizar o testemunhal. No lugar da própria empresa alardear as glórias do seu produto ou serviço, coloca as palavras elogiosas na boca de terceiros. É o médico ou dentista falando das maravilhas de um produto; o avô ou avó elogiando os benefícios da fralda ou da pomadinha para o nenê; é um artista; desportista; professor ou qualquer outro ícone de referência que aparece ali. E funciona. Na vida pessoal, ganhou o nome de network. Funciona também. Portanto, mãos à obra! A próxima promoção será sua.
A estratégia
1. Network é uma via de mão-dupla: divulgue as qualidades dos amigos, ponha pessoas em contato. Ela farão o mesmo com você.
2. Seja direto e peça ajuda para o seu círculo mais próximo. Ainda não inventaram a telepatia instantânea para adivinhar o que você deseja ou precisa.
3. Tente não perder os laços criados ao longo da vida. Perdeu? Tudo bem. Dá para recuperar. Aproveite as datas tradicionais para mandar uma mensagem e retomar contato.
4. Crie o que se chama a agenda de contatos: nome da pessoa com dados principais: aniversário, o que faz, o que gosta. Uma palavrinha basta. Tem gente que tem uma memória… Não é o meu caso, portanto, o melhor é escrever (e lembrar de consultar a agenda!).