P: Posso comentar o que quiser nos blogs? Fico sempre com vergonha de estar invadindo o espaço dos outros, não só nos blogs, mas também em reuniões, conferências, almoços e jantas! N.S., Palmares
R: Esta é uma questão importante, pois envolve saber como ser conveniente, ou o quanto somos inconvenientes. Em propaganda, é o justo caminho entre “pedir licença” e “invadir”. Quem já não se irritou com a caixa postal repleta de e-mails indesejados? Antes, eram os folhetos via correio. Os papeizinhos deixados no pára-brisa do carro ou na porta de casa. De um lado, quem tem algo a oferecer e deseja atingir seu público; de outro, quem não quer a sua vida repleta de informações não solicitadas.
Retirem-se vocês!
Uma vez me envolvi numa briga enorme, um processo contra escolas particulares (para quem não sabe, houve uma época em que as mensalidades das escolas particulares eram controladas pelo governo. A encrenca foi grande.). Um belo dia, escuto da diretora da escola:
-Não está satisfeita? Os incomodados que se retirem!
É o mesmo argumento que se ouvia na época da ditadura: Brasil, ame-o ou deixe-o.
Fincando o pé
Ora, se fosse assim, nada mudava neste mundo. Não deixo não: estou incomodada e fico. Fico para mudar. Fico para transformar. No mundo dos negócios, significa abrir as portas para ouvir as reclamações e sugestões dos consumidores. Foi uma longa luta, mas nenhuma empresa hoje ousaria dar as costas para os seus clientes, retrucando que, se não gostam, que procurem outra freguesia. É verdade que recentemente a Sprint Nextel dispensou alguns clientes. Alguns? Foram mil! Simplesmente deu um basta. Fez as contas e concluiu: era mais caro manter o atendimento a estes clientes reclamões (cada um ligava mais de 20 vezes por mês) do que mandá-los para a concorrência. Assim pensou, assim fez. Cliente está em primeiro lugar, é importante - mas muitas vezes está errado – e não se dá conta, não tem o mínimo do “simancol”. Pior, porque está pagando, vem cheio de razão, mesmo sem a ter.
Via de mão dupla
Num blog, no trabalho, nas amizades, é fundamental perceber que as relações e suas regras são construídas em conjunto. Pegando o exemplo do blog. Está aberto para comentários? Manda ver. O blogueiro quer moderar? Ok. Quer editar? Também pode. Escreveu algo, as pessoas reagiram de forma inesperada? Nada de reclamar: é melhorar a comunicação. E como as outras pessoas agem? Isto significa fazer benchmark, ou seja, ver as melhores práticas no setor. Enfim, na medida em que você experimenta e testa limites, terá uma reação ou, como chamamos em propaganda e comunicação, o feedback. A partir deste retorno, ajusta as novas ações. O importante é não se antecipar, imaginando a reação e, com isto, se auto-censurado. Mas este assunto fica para o próximo post.
A estratégia
1. Ao ocupar algum espaço – profissional, social, afetivo, “bloguístico”, faça benchmarket: lance um olhar sobre como as outras pessoas estão agindo.
2. Coloque-se em campo, seja você mesmo – mas preste atenção no retorno, no feedback.
3. Esqueça a frase “sou assim mesmo”. Isto é comodismo. Mudar dói e é difícil, mas ser flexível e adaptar-se faz parte do jogo da vida. Só não muda quem está morto.
4. Exponha-se. O que pode acontecer de pior? Com certeza, ninguém morre por dar alguma “bola fora”. Quando muito, elas servem para a gente aprender e dar risadas no futuro.
PS: A comemoração dos 5 mil continua. Vá deixando seu recadinho, que vou sortear cartões personalizados. E o bacana é descobrir o processo de criação dos cartões!
Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
Inconvenientes
Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Chegando lá, o network que funciona
Antes de entrar no assunto deste post, um aviso aos navegantes. Quero comemorar a virada dos 5 mil acessos! Ainda não alcancei os milhares da Bibi , da Luma, da Ciça e da Lys, mas eu chego lá! Já mudei o banner, para marcar a data, mas também vi em vários blogs que as pessoas sorteiam e dão brindes. Achei a idéia bacana. Como não tenho as mil e uma habilidades da Denise, pensei uma coisa que eu poderia sortear: cartões de visita personalizados. Já falei sobre a importância disto em um post (o menor outdoor do mundo). Então vai funcionar assim: você deixa seu comentário aqui, eu vou numerar e no dia 15 de maio faço o sorteio. Você tem seu próprio cartão? Pode indicar para um amigo. Os detalhes eu explico por e-mail para o ganhador. E agora, vamos ao post!
P: Não sei o que acontece comigo. Sou dedicada, faço um excelente trabalho. Para dizer a verdade, bem melhor do que muita gente que anda por aí! Mas na hora da promoção ou de conquistar uma vaga melhor, só vejo os incompetentes vencerem! Tem explicação para isto? Verônica, Taubaté
R.: A boa notícia é que tem, sim, Verônica, explicação para isto. E dá para mudar. A má notícia, é que não é fácil: você terá que quebrar algumas rotinas. Por exemplo: encarar de frente que Papai Noel não existe!
O fim da fantasia
Como assim, não existe? O que Papai Noel tem a ver com esta história? Tudo a ver. Acreditar que o mundo é perfeito, cor-de-rosa, e que recebemos presentes por bom comportamento, dedicação e competência é apenas uma parte da história. A outra parte, é que não estamos sozinhos no mundo e, portanto, é preciso jogar conforme as regras. Isto inclui utilizar outras ferramentas para “chegar lá”.
O jogo sujo
Então precisa puxar o tapete de todo mundo, mentir e badalar os chefes? Claro que não! Mas no mundo dos negócios, é um erro comuns dos empresários: agem acreditando que um bom produto vai ter sucesso sozinho no mercado. Bobagem. Tem que ser bom E ter uma estratégia de propaganda e marketing. Caso contrário… fracasso total. Até os que dizem não usar estrtégia –bem, isto já é uma estratégia (como os produtos sem marca). Lembro, em Floripa, de uma loja de bagels que abriu perto do shopping. Bagels é um pãozinho delicioso, que fez a fama de New York. Que saudades de um bagel quentinho, com o aroma se esparramando pela casa toda e a manteiga derretendo em cima! Pois bem, voltando a história e deixando as calorias de lado. O homem abriu o ponto (que era muito bom) com os bagels. E ficou atrás do balcão, esperando a clientela. E ficou esperando e esperando, até fechar as portas. Eu estive lá umas duas vezes – sempre às moscas. O produto era bom… mas, quem em Floripa, sabia o que era um bagel? Eu mais meia dúzia de pessoas. Ou seja: era necessário divulgar, fazer propaganda do produto. Se não falar, quem vai saber?
A modéstia por religião
Um dos mitos culturais que se aprende desde criancinha é que é necessário ser modesto, que o esforço será sempre recompensado e reconhecido. E assim, tudo fica como dantes no quartel de Abrantes: nada muda, seja na vida pessoal, seja na vida empresarial. Bom para quem está por cima da carne seca, péssimo para quem deseja mudar de posição. Este mito é tão forte, que quando alguém fala bem de si mesmo, costuma incluir alguma frase de auto-desvalorização, como: -Bem, é verdade que o trabalho é fácil; ou –Estou acostumado com isto; etc. etc.
As outras pessoas já olham desconfiadas. Se é preciso divulgar, mas falar de si mesmo é problemático, como fazer? Em propaganda, a saída encontrada é utilizar o testemunhal. No lugar da própria empresa alardear as glórias do seu produto ou serviço, coloca as palavras elogiosas na boca de terceiros. É o médico ou dentista falando das maravilhas de um produto; o avô ou avó elogiando os benefícios da fralda ou da pomadinha para o nenê; é um artista; desportista; professor ou qualquer outro ícone de referência que aparece ali. E funciona. Na vida pessoal, ganhou o nome de network. Funciona também. Portanto, mãos à obra! A próxima promoção será sua.
A estratégia
1. Network é uma via de mão-dupla: divulgue as qualidades dos amigos, ponha pessoas em contato. Ela farão o mesmo com você.
2. Seja direto e peça ajuda para o seu círculo mais próximo. Ainda não inventaram a telepatia instantânea para adivinhar o que você deseja ou precisa.
3. Tente não perder os laços criados ao longo da vida. Perdeu? Tudo bem. Dá para recuperar. Aproveite as datas tradicionais para mandar uma mensagem e retomar contato.
4. Crie o que se chama a agenda de contatos: nome da pessoa com dados principais: aniversário, o que faz, o que gosta. Uma palavrinha basta. Tem gente que tem uma memória… Não é o meu caso, portanto, o melhor é escrever (e lembrar de consultar a agenda!).
Sábado, 19 de Abril de 2008
Analfabetismo Funcional
P: Adoro meu amado, mas ultimamente, está me dando nos nervos! Parece que a gente fala línguas diferentes. Eu falo uma coisa, ele entende outra. Às vezes, mal começo uma frase, e ele já vai completando… O que está acontecendo? Lisandra, TO
R: Lisandra: que é um problema de comunicação, isto você já sabe. Mas por que ocorrem estas “leituras” diferentes? E dá para superar isto? Bem, é um problema mais comum do que parece. Ocorre não só entre casais, mas também nas relações pais-filhos (quem nunca se exasperou com a linguagem incompreensível dos jovens?) ou chefes-subordinados.
Analfabetismo funcional
Escutar ou ler, sem compreender a mensagem, é o que se chama de analfabetismo funcional. Há algum tempo atrás, fiz uma série de vídeos na área médica. O problema: superar a barreira de comunicação entre médicos e enfermeiras. Os dois lados se queixavam um do outro. Quem tinha razão? Todos e ninguém, mas é usual que as pessoas utilizem palavras que não dominam, for a do contexto. Um dos relatos (enquanto fazia a pesquisa para o roteiro) era assim:
Enfermeira: Pois então, o paciente era totalmente afásico, uma afasia global!
Eu: E foi o médico que deu o diagnóstico?
Enfermeira: Não! Foi próprio paciente que me disse.
Detalhe: na afasia global a pessoa não consegue se comunicar…
Um estrangeiro no próprio país
Não entender o que outro diz ou escreve faz da pessoa um estrangeiro em seu próprio país. Em propaganda, a mensagem que não atinge o seu objetivo significa cliente perdido – e os exemplos são muitos. Cada público, cada cultura, cada segmento tem sua própria forma de se comunicar e, por isso, é necessário entender as diferenças. Só entender não basta: respeitar e se esforçar para criar pontes com o outro é fundamental. Mesmo neste mundo globalizado e internacionalizado, marketing e propaganda precisam se adequar a cada região. Ou o que você pensaria se lesse um cartaz assim:
“Vendo negrinhos por bom preço. Na lomba, logo após o farol.”
Negrinhos? Estamos então na época da escravidão? Ora, “negrinho” é o nome que se usa no Rio Grande do Sul para “brigadeiro”, o docinho brasileiro típico de aniversário, feito com leite condensado e chocolate. Lomba é o mesmo que subida. Farol é o sinal de trânsito. Existem exemplos engraçadíssimos, envolvendo palavrões ou símbolos inadequados em propaganda.
Perigos da suposição
Não se deve subestimar o outro mas, ao mesmo tempo, também é importante não “imaginar” o que a pessoa sente, pense ou fala. É a tal história do todo mundo e ninguém: você acredita que o outro esta entendendo, ou fazendo alguma coisa. Quando vai ver… o OUTRO achou que você é que deveria ter dito, feito, pago, etc. e tal. Você faz uma brincadeira: as pessoas levam a sério. Você fala sério. As pessoas levam na brincadeira. Pronto. Está feita a confusão. Mas da para evitar, ou reduzir estes ruídos. Uma forma é, desde cedo, ampliar os horizontes de quem está sendo alfabetizado. O Projeto Ler e Ser tem este objetivo, porque mais do aprender a perceber palavras, é importante reconhecer o significado. Outra, utilizar algumas ferramentas para evitar mal-entendidos, que todo bom publicitário conhece: falar a mesma mensagem com diferentes abordagens, monitorar o feedback, não pressupor respostas.
E, finalmente, ter paciência, porque senão… os erros ficam grotescos. Veja a propaganda ao lado, que saiu na Revista Vogue, aquele número tão controverso com a foto da Gisele na capa, junto com o LeBron. Pressa da nisto. Tentar ser perfeito demais ao comunicar, também. O que é isto na saboneteira da modelo?A ESTRATEGIA
1. Não gostou do que ouviu? Antes de partir para o ataque, respire fundo.
Coloque, em outras palavras, a mesma frase e confira: ‘e isto mesmo que você quer dizer? Você pode se surpreender com a resposta!
2. Resista à tentação de ter sempre a última palavra. Muitas vezes, não importam as conclusões, mas o processo, a dinâmica que se cria.
3. Não adianta falar a mesma coisa mais alto: o problema não é de surdez, mas de universos de linguagem diferentes. Experimente criar comparações e analogias (muito usado em propaganda) ou desloque a opinião, tomando por referencia outra pessoa (o famoso testemunhal). Isto tira um pouco do peso emocional e permite a retomada do diálogo.
Domingo, 13 de Abril de 2008
Hora do Adeus
P: Quando – e como! - se faz para dispensar um cliente? Fico sempre em dúvida se é a hora de dar um basta ou não. Lucas, SP
R: Assim como na vida profissional, também na vida pessoal é difícil romper uma relação. Para quem está de fora, parece simples. Os “palpiteiros” de plantão percebem claramente que a relação está cheia de problemas e se perguntam: por que continuam juntos? Sim, por que? Por que uma empresa continua com clientes que só criam problemas?
O doce passado
Por que ficamos com alguém quando é hora de dizer adeus e dobrar a esquina? Cada um pode buscar suas próprias explicações. Vou alinhavar aqui algumas, que a gente vê no mundo empresarial. Empresas mantém linhas de produto muitas vezes deficitárias. Outras, clientes que incomodam – e muito. Às vezes, é apenas nostalgia: clientes antigos, produtos que fazem parte da história do negócio. Os donos, presidentes, diretores, não querem abrir mão em prol dos “bons tempos”. Não percebem que os tempos são outros e é preciso deixar o passado onde ele deve ficar: no passado.
Pequenos lucros
Além disso, nenhuma relação é totalmente deficitária. Se o fosse, seria fácil romper com ela: quando todos estão perdendo, sempre se encontra uma solução. Se a situação persiste, é porque alguém está lucrando, mesmo que apenas um pouco. A empresa pode ganhar status com aquele cliente, ter esperança que ele cresça, ou amadureça, formando uma parceria mais profissional. É a tal história: quem sabe, com mais um pouco de empenho ou esforço, a situação não muda? Bobagem. Não muda.
Divergências sociais
Outro fator é a pressão do grupo. Nem mesmo numa relação a dois – onde se supõem que somente as duas pessoas envolvidas devem decidir o que fazer – deixamos de sofrer a pressão dos outros. São os amigos, defendendo a nobre causa do parceiro – tão bom, tão inteligente, o casal perfeito. Ou a família, perguntado sobre como “as crianças” vão ficar (e olha que “as crianças” podem ter 18 anos!). Nas empresas, são outros diretores, funcionários, técnicos – a própria imprensa. Como assim? Dispensar um cliente? Estão loucos?
Mas, vale a pena dizer, um pouco de loucura faz bem aos negócios. E à vida também.
Abrindo espaço
O grande problema é que estas relações que não terminam, sob a máscara do “agora não dá para romper”; “vai melhorar”; “tem coisas que compensam”, acabam drenando energia, tempo e criatividade. O empenho investido impede que se busquem novos horizontes, novos clientes. Continua-se com a rotina. E nada como a rotina para matar qualquer perspectiva de crescimento, pessoal ou profissional. Portanto, muitas vezes é preciso provocar uma crise para criar novas oportunidades – e enfrentar a tempestade para colher os frutos depois.
A estratégia
1. Imagine o pior que pode acontecer com a ruptura. Lembre-se: só existe uma coisa definitiva neste mundo – a morte.
2. Existem duas alternativas para a ruptura: morte súbita ou lenta agonia.
3. Morte súbita: prepare-se para enfrentar o “vácuo” que se segue ao rompimento. Isto significa reunir capital emocional e financeiro. Emocional, para agüentar as pressões contrárias e navegar contra a corrente. Financeiro, para se manter – ou manter a empresa – até conquistar novas possibilidades.
4. Lenta agonia: precisa disciplina! Organizar uma rotina de transição, em que se buscam outras oportunidades e, ao mesmo tempo, gera-se um afastamento vagaroso. Confesso que para mim nunca funcionou. Por exemplo: só consegui um emprego melhor, ou alanvancar minhas consultorias quando não tinha mais nenhuma alternativa – caso contrário, ia levando na rotina. Aliás, alguns clientes, hoje, olhando para trás, vejo que deveria ter dispensado, pois era, na verdade, trabalho escravo. Mas estas histórias ficam para outro post: a gente aprende!
Quinta-feira, 3 de Abril de 2008
Mudando a rota
P.: Tenho uma profissão estável, sou reconhecida no meio. Nada de grandes fortunas, mas pobre não posso dizer que sou. Só que ando insatisfeita, penso em mudar de área. No entanto… Será que é tarde? E se der errado? Já passei dos 30! Marta, Goiânia
R.: O quanto “tarde” é tarde? Mudanças são sempre um desafio – e o “errado” depende daquilo que você considera “certo”.
As expectativas
O mundo do consumo está cheio de mudanças – para o bem e para o mal. Também para os executivos tais decisões são difíceis. Tive um cliente que havia desenvolvido um novo produto: uma pasta de dentes com perfume de rosas. É, isto mesmo. Não posso falar o nome porque a empresa é e-n-o-r-m-e e existe até hoje. Fomos a campo, para testar o produto. Bem, vocês podem imaginar o resultado. Por nossa própria conta, testamos na classe E, que adorou. Só diziam: -Imagina eu, no bailão, falando e soltando rosas pela boca!
Só que o cliente queria lançar para a classe A. E para convencê-lo que não ia dar certo? Mudar de idéia já é difícil, imagina mudar um produto, uma vida. A Kodack, só após amargar enormes prejuízos, decidiu dar uma guinada e entrar na era digital. O mesmo vale para a Xerox. Valisére. A lista é infindável, ultrapassa o mundo corporativo.
Gente que virou a mesa
O número de escritores, músicos, artistas e cia. que estão por ai, fazendo e acontecendo, também serve de exemplo. –Espera aí, você pode dizer. Isto é gente com talento incomum, nós estamos aqui falando de quem tem que pagar as contas todo dia, réles mortais.
O número de anônimos que busca novos caminhos também é significativo. Uma das explicações é simples: a expectativa de vida aumentou, o número de opções profissionais também. O que antes se resumia a 25, 30 anos de vida profissional, hoje mais que duplicou: continua-se estudando, aprendendo, trabalhando (e todos os “andos” que você quiser!) até os 70, 80 anos. E, no entanto, sempre dá um medinho de mudar.
Queimando navios
Muitos imigrantes conquistam a nova terra, para espanto (e inveja) dos que nela já estão. Qual a diferença? De onde vêm tanta coragem? Existem muitas explicações. Destaco duas: os imigrantes não têm nada a perder e não possuem uma rede de apoio. Isto significa que precisam dar tudo de si, sem contar com mais alguém. Os navios são queimados, não há retorno possível. É o mesmo estímulo que faz o sucesso dos jovens empreendedores, que vendem tudo para investir na sua idéia. E se der tudo errado? Isto está fora de cogitação. O não abrir mão do pouco que se tem é que impede as pessoas de arriscarem. Vive-se com um olho nas conquistas passadas – ignora-se o futuro, até que ele chega, implacável, exigindo mudanças. As empresas fecham os olhos para os funcionários desmotivados, clientes descontentes, concorrência agressiva. Quando percebem, saem correndo atrás do prejuízo, como já vimos. Muitas desaparecem – esperaram demais para reconhecer que a mudança de rota era fundamental. Portanto, alerta para os sinais que indicam a hora de virar o leme e navegar em outras direções. Se você terá sucesso? Isto já é assunto para o próximo post.
A estratégia
1. Alerta para os sinais que indicam problemas: vontade de largar tudo, irritação, mal estar indefinido, falta de energia, pensar alguma coisa, uma sugestão, mas silenciar.
2. Lista infindável de justificativas para manter a situação (como se quisesse convencer a si mesmo).
3. Chorar as pitangas em outra lista de tudo que pode dar errado, se mudar de atitude.
4. Agora, encha-se de coragem e escreva o epitáfio da sua vida, como ela é, se você morresse hoje. Depois, o epitáfio como gostaria que fosse. Não gostou das diferenças? Hora de agir.
Sábado, 22 de Março de 2008
Namoro Virtual
P: Adoro ficar nas minhas “paquerinhas” virtuais. Só que eu tenho um namorado bem real. Já li sobre vários casos – até separação! – por causa disto. Será que tem algum risco? Laís, São Bento
R: O mundo virtual toca no real, afinal de contas, por trás da máquina existe um ser de carne e osso. Mas o que diferencia os dois? Vou destacar alguns pontos. O primeiro, é que no mundo virtual, com um toque de mouse, dá para o mudar o cenário, as gentes, ou até mesmo desligar tudo. Já o mundo real não tem controle remoto (até que seria bom!).
Fantasia perfeita
Outro ponto importante é que o mundo virtual pode ser um mundo de sonhos. A perfeição até existe. É o mundo de sonhos da propaganda: as mulheres acordam sem remela no olho; o olho nunca está inchado! Ninguém tem bafo, nem chulé. O café da manhã… Deus meu! Nunca vi o leite derramar. As crianças aprontam-se rapidinho para a escolha, sem choro nem vela. E nos bares, então? O garçom está sempre bem humorado e atende ao primeiro sinal, trazendo o chope estupidamente gelado. De tanto ver estas imagens (a repetição faz parte dos princípios da propaganda, princípio este estabelecido por, quem diria, Hitler!), a gente acaba acreditando nelas. E o mundo da Internet criou um espaço perfeito para reforçar tais imagens.
Erros de leitura
O problema é que as mensagens transitam livremente entre os dois mundos e levam a interpretações diferentes, provocando toda a confusão. Tive um cliente -acho que a empresa existe até hoje: na época, fabricava discos, os bolachões, longplays (será que se transformaram em cds?) e, na primeira reunião, do alto dos meus 23 aninhos esplêndidos, comecei a defender a criação. Só que o fulano não parava de piscar para mim! Eu, totalmente sem jeito. O que fazer? Será que este desinfeliz estava me cantando? Ai, ai, ai. Saia justa total. Eu continuei, firme, fingindo que nada acontecia (cadê aquele controle remoto que eu falei lá em cima, para mudar o canal do mundo?). Como não dava para deletar o cliente, fazer o quê? Olhava pros lados, concentrava nas peças. Finalmente acabou. Ao chegar na agência, o pessoal comentou: -Dá até nervoso este cliente, não é? Ele não para de piscar!
Pois então: era um cacoete. Nada comigo não. Ufa! Já pensou se eu tivesse saído brigando por causa deste assédio que não era assédio?
Cada coisa em seu lugar
Por isso, nunca é demais lembrar: nem sempre o que se vê é o que parece ser. No caso das “paqueras virtuais”, as duas – ou três partes – precisam definir o quê significa o quê. Também não custa lembrar que fantasia é apenas fantasia, na Internet ou na propaganda. Ela pode fazer muito bem para a saúde, como válvula de escape para as tensões diárias. Mas também pode gerar mais frustração, quando se impõem como única maneira para as pessoas se sentirem felizes e desejadas.
A estratégia
1. Uma relação está em constante construção: defina quais os tijolos que são fundamentais e quais são os elementos decorativos.
2. Deixe isto claro antes de fazer qualquer “reforma” e confira se a outra parte concorda!
3. O que para você é virtual, para o outro pode ser real. Não misture os canais.
4. Investigue o valor e o tempo que você está dedicando para cada um destes mundos. O que gera satisfação ou insatisfação? E até que ponto isto não é uma imposição da Geração Prozac, que recusa qualquer tipo de tristeza, por pressão da indústria e da propaganda? Pense nisto.
Domingo, 16 de Março de 2008
Um tempo
P: Meu namorado me pediu um tempo. Mas quanto tempo é “um tempo”? O que significa isto, afinal? Continuamos namorando ou não? Isabel, Londrina.
R.: Um tempo pode ser muito tempo. A maioria das vezes, é uma eternidade. E não é só namorado que pede um tempo: tem noivo, marido, companheiro que vem sempre com esta conversa.
Medo com nome e sobrenome
No fundo, e as exceções estão aí para confirmar a regra, “um tempo” significa pura e simplesmente: -Cansei de você, quero borboletear por aí, mas sem nenhum sentimento de culpa. Mas quero ter certeza que você continua à mão e prontinha para me abraçar, caso eu deseje voltar!
Nas agências de propaganda acontece algo parecido. É o cliente que acena com um ótimo negócio ali na frente mas, enquanto isto, vai esfolando a sua pele. E você ali, esperando dias melhores. Pode esperar: vai nadar, nadar, e morrer na praia. E a empresa que fica “cozinhando” os anúncios que a gente cria, pede opções para várias agências, faz concorrências mil e depois não decide nada?
NIM
É o povo do nim: nem não, nem sim. O grande problema, é que somos coniventes com tudo isto. Acreditamos que, no frigir dos ovos, iremos acabar ganhando. Os ovos queimam e ganhamos é nada. E por quê? Ingenuidade? Auto-suficiência? De tudo um pouco. Tenho um amigo, israelense, que se mudou para o Brasil, casado com uma curitibana. Lá foi procurar emprego. Depois de um mês, encontrei-o. Perguntei: - E aí? Alguma novidade? Ele, cheio de entusiasmo e com sotaque carregado: -Sim! Fiz uma entrevista, fui super bem, me elogiaram muito. Pediram para eu esperar um tempo, que logo iriam me ligar.
Coitado! Precisei urgente dar um curso intensivo sobre o “dá um tempo brasileiro”. Ele não conseguia acreditar: -Quer dizer que dizem que vão ligar e não ligam? Mas em Israel, se você não é aceito, a resposta é na hora!
Ah, mas é que brasileiro é tão bonzinho… Não quer magoar ninguém. Tem medo de tomar decisões e se arrepender -e gosta sempre de deixar um reserva na mão, certo? Nas relações afetivas é o mesmo cenário. Como acho que não devem ficar sentadas até a bunda assar, o melhor mesmo é tomar algumas providências. Para isso, é preciso estar preparado e ter coragem de ouvir alguns nãos e deixar as portas se fecharem. Melhor portas fechadas do que calendário amarelado!
A Estratégia
1. Defina um prazo. Pode ser de comum acordo, mas defina uma data para o retorno.
2. Leia nas entrelinhas do “dar um tempo”. Fale claramente para evitar ruídos de comunicação e investigue se o significado é o mesmo para os dois lados.
3. O que pode ser feito neste “tempo” vale para ambas as partes? Por exemplo: se o cliente está fazendo concorrência entre agências, quer dizer que você também pode prospectar empresas concorrentes? Geralmente o cliente não quer saber disto: são dois pesos e duas medidas. Nas relações, também não. Quem pede “um tempo”, quer um tempo só para si – e que o outro fique a ver navios!
4. Viva o presente –pois o futuro é incerto e nunca chega.
Quinta-feira, 13 de Março de 2008
Puxando o tapete
P.: Adoro meu trabalho. Só tem um probleminha: é uma puxação de tapete! Se não cuidar, vai direto para o chão… Quando menos se espera, lá vem facada pelas costas. Tem algum jeito de lidar com isto?, Dorothy, Canoas.
R.: A puxação de tapete, praga que assola 10 entre 10 empresas, ataca em todos os departamentos e funções. É aquele fulaninho “muy amigo”, mas que fala horrores de você ou simplesmente “rouba” suas idéias. Tem gente com tanto medo disto, que acaba imobilizado.
Super secreto
O senhor D. (vou omitir o nome) procurou ajuda da CBL – Câmara Brasileira do Livro. Ninguém queria publicar sua obra. Depois de muito insistir, meu pai, advogado, resolveu atendê-lo. Conforme dizia D., seu livro denunciava uma conspiração global, desvendava um segredo tão secreto, que colocava em risco o país, o planeta. Uma bomba. Sucesso garantido. Meu pai, então, propôs: -Você deixa os originais, que vou procurar uma editora. E ele retrucou: -O queeeee? Os originais são secretos, não posso deixar com ninguém!
Pois é, já tive clientes que omitiam informações, algumas fundamentais para se desenvolver uma propaganda adequada. Uma trabalheira descobrir os dados!
Concorrência desleal
É claro que na selvageria do mercado existe uma concorrência feroz, tanto nas estratégias de marketing quanta de propaganda. Por fora, tudo sorrisos. Mas na hora de conquistar um cliente, é um vale-tudo! A propaganda destaca os pontos fortes do produto ou serviço, insistindo que as outras empresa não têm aquilo, ou tem pior. E também tem a guerra de preços. Da mesma forma, quando um produto, serviço ou propaganda é bem sucedido, logo surge a concorrência para atacar, falar mal ou copiar aquilo que deu certo, mudando uma coisica qualquer. Fora os “olheiros” de plantão, investigando preços e estratégias como se fossem simples consumidores – verdadeiros dedos-duros, que orientam os contra-ataques aniquiladores.
Tem pior
Pior é quando as empresas se juntam e tentam liquidar com um concorrente que está aparecendo demais. Podem fazer guerra de preço, comprar o concorrente, estrangular a distribuição ou impedir que as matérias-primas cheguem. Isto ocorre entre as pessoas: grupinhos que se unem para acabar com a vida de alguém. Equivalentes no ambiente de trabalho: “esquecer” de avisar de uma reunião ou de uma chamada telefônica, colocar na boca do outro palavras que não foram ditas, atrasar a entrega de dados e informações e daí para frente. Faça você a sua lista.
Sobrevivendo
As empresas não dormem no ponto. Quando fazem algo bem feito, alardeiam aos quatro cantos. Alguém vai copiar? Tudo bem. Agora, o mundo já sabe de quem foi a idéia. Vira propaganda positiva. Isso é tão comum, que já é praxe no mercado. Chama-se benchmark ou benchmarket, são as melhores práticas, que merecem até prêmio. Tem mais. Fazem do inimigo, um amigo. Ou o que você pensa que são as associações de classe? Escolhem os pontos em comum e trabalham juntas por ele. Utilizam também táticas de guerrilha: ações inesperadas, que surpreendem a concorrência e o mercado, deixando os outros imobilizados. Por exemplo: antecipar uma campanha de propaganda, ou usar um merchandising criativo. As táticas de guerrilha estão na moda – vamos voltar ao assunto com alguns exemplos práticos. Enquanto isto, coloque sua imaginação em campo e prepare seu plano anti-puxação de tapete.
A Estratégia
1. Junte-se ao inimigo. Descubra pontos em comum para formar aliados: melhores salários, flexibilidade de horários, maior sociabilização e daí para frente.
2. Surpreenda. Entregue o relatório antes da data, consiga uma informação inovadora. Seja pró-ativo, enfim!
3. Invista na blindagem da sua imagem. Muita gente falando bem de você mina qualquer terrorista. Para isso, insista na sua rede de relacionamento. O benchmark prega em alto e bom som: aproveite as datas comemorativas (aniversários, fim-de-ano, etc.) para marcar presença. Lembre-se de elogiar os sucessos dos colegas, dos chefes e dos que estão abaixo de você.
Sábado, 8 de Março de 2008
Multipla jornada - Dia Internacional da Mulher
P.: Alguém poderia, por favor, me explicar por que eu preciso trabalhar tanto? Tenho que dar conta de casa, do trabalho, da família, e ainda sair bela e faceira por aí. Para dizer a verdade, não aguento mais! Soraya, Taubate.
R.: Um dia, alguém me disse: com a tecnologia, teremos mais tempo livre. Eu acreditei! Era mentira. Hoje, trabalhamos muito mais, porque com as tecnologias da comunicação, o trabalho nos persegue em casa, no lazer, nas ferias. Tem mais: quem tem trabalho intellectual, não descança nem dormindo. Ou alguém já ouviu falar de uma pessoa que deixa de pensar enquanto dorme? Estima-se que, hoje, se dorme uma hora a menos por noite do que há 150 anos. Ajudou pra isto, é claro, a invenção da eletricidade.
Do lar
Mesmo assim, com máquina de lavar louça, roupa, secar, passar e aspirar, a responsabilidade ccontinua da mulher. Que me desculpem os homens participativos. É comum ouvir –“Meu marido ajuda em casa!”. Isso só prova que o principal é realizado pela mulher. Nunca ouvi nenhum homem dizer: -“Minha mulher me ajuda em casa!”.
O cafezinho
É tão forte este estereótipo de que a mulher precisa “servir” que, em muitos casos, nem se percebe. Em uma das agências na qual trabalhei (eu era a única mulher do grupo, pois, acreditem, naquele tempo mulher em cargo de direção era coisa rara), sempre que tinha reunião o meu chefe dizia: -Ethel, dá para pegar um cafezinho prá gente? Na primeirea vez eu fui. Na segunda também. Na terceira, comecei a me irritar. Na quarta, fiquei indignada. Antes que acontecesse a quinta vez, na primeira oportunidade, antes de dar tempo para ele pedir, eu mesma disse: -Fulano, dá para pegar um cafezinho para a gente?
Listando valores
Para construir esta imagem da mulher super poderosa – super mãe, super amiga, super profissional, super dona de casa e super amante (sim, depois de tudo, ainda é preciso ter não sei quantos orgasmos múltiplos!) – a indústria reforça estes valores. Como? Com propaganda, claro. Grupos de discussão, pesquisa, analyses psicológicas, observação de tendencies são algumas das ferramentas empregadas para descobrir os pontos críticos que vão “balançar” o consumidor. É bom notar que muitos valores são contraditórios. Tem que ser romântica e dependente, mas agressiva e independente; apaixonada e impulsive, mas racional e comedida. E por aí vai – mas sempre potencialmente submissa aos desejos do homem. Haja esquizofrenia!
Confira, em baixo, algumas propagandas de antigamente e outras atuais. O que mudou?


A estratégia
vida. Perfeição ideal é só isso mesmo: um ideal.2. Não caia no conto da propaganda e defina suas prioridades. O resto, deixe para lá.
3. Aprenda a dizer não. Já falei sobre isto em outro posto, com algumas dicas. Dê uma espiada.
E aqui vai o selo que iniciou tudo isto, e que esta no blog da Lys e da Meire. Lá você encontra os links para todos que participaram desta blogagem coletiva do dia 8 de março.

Terça-feira, 4 de Março de 2008
Encontro inesquecivel
P.: Nos primeiros encontros, nunca sei como me comportar para ser inesquecível. O que eu faço, para não espantar o dito cujo? Às vezes, tenho ataque de risos, de nervoso! Mexo com as mãos, derrubo tudo… É para beijar? Transar? Pagar metade da conta? O que se fala? Laura, Portobelo
R.: O primeiro contato é sempre complicado. Queremos conquistar e ser conquistados, queremos deixar a concorrência comendo poeira e dizer para a torcida do contra, sempre de plantão: -Olha só! Consegui!
Mas como?
Diálogo de surdos mudos
As revistas femininas dão um conselho: não fale nada! Escute, porque as pessoas gostam de falar de si mesma… Então, deixe ele falar sobre suas conquistas. Você fica conhecendo o dito cujo e ele vai achar você o máximo.
Engraçado. As revistas MASCULINAS dão exatamente o mesmo conselho: não fale nada, deixe ela falar de si mesma, mulheres adoram falar de si. Ela vai achar o máximo, e você ficará conhecendo a fulana melhor…
Já imagino a cena, se a dupla seguir o conselho: um olhando para a cara do outro, mudos: -Fale de você… -Não, não, estou aqui para escutar você!
Segundo Ato
Se as empresas seguissem estes conselhos, jamais conquistariam algum cliente! Imagina eu, consultora, dizer para o gerente de marketing: fique ali, quietinho, esperando que o freguês venha procurá-lo para falar sobre si mesmo. Tava mortinha da silva. Vamos, então, pular este primeiro ato e partir direto para o segundo. O que se deseja, é um epílogo feliz, certo? Para isso, é importante descobrir, por vias indiretas e antes do primeiro contato, o perfil deste ser em potencial (que chamamos prospect). Como? Pesquisando. Santo oráculo Google! Comunidades, currículos, amigos… A pessoa é totalmente desconectada? Tudo bem. Amigos, família, o bairro onde mora. O estilo de roupa. A idade – sim, embora em uma mesma geração existam muitos grupos diferentes, um certo parâmetro cultural serve como referência. Tudo isto são pistas para a personalidade – basta saber ler tais indicadores. Encontro às cegas? Aprimore mais ainda a leitura imediata de sinais – e tente não projetar o que deseja no outro. Dá para acreditar que tem empresa que diz que o público é que está errado? Pois tem. Não caia nessa.
Em campo!
Depois de fazer a “lição de casa” é hora de se expor um pouco. Vale, de novo, o que se faz em marketing: eu tenho que mostrar o produto ou serviço, criando pontos de contato com o perfil do meu público, para despertar seu interesse. Não é questão de mentir, mas de colocar em destaque algo que servirá para criar um fluxo de comunicação. Música, esportes, livros, cinema, atualidades: é por aí que se vai caminhando em direção ao coração. Simples? Nem tanto. Se fosse, ninguém ficava perdido nos primeiros encontros, nem haveria lojas às moscas.
Gostinho de quero mais
Outro truquezinho é deixar um uma isca para o retorno. Tem gente que quando você pergunta: -Como vai?, responde desfiando a vida inteira! Os noveleiros de plantão conhecem bem a técnica para criar expectativa. As promoções de milhagem e pontos também funcionam assim. Para ganhar mais, você retorna e retorna e retorna novamente. Então, são aquelas frases soltas ao acaso: -Ah, tal disco? Ou, - Tal livro? Um tempero exótico – enfim, algo que se promete trazer no próximo encontro.
Resta controlar a ansiedade, e não ficar parada ao lado do telefone, horas infindáveis esperando que ele toque. Mas isto já é uma outra questão!
A Estratégia
1. Descubra o que puder sobre a pessoa. Não é invadir o espaço privado: é mostrar interesse!
2. Respeite a individualidade de cada um, sem projetar sua própria personalidade.
3. Exponha-se para criar pontes de ligação.
4. Evite querer falar tudo e mostrar tudo de uma vez só. Dê tempo ao tempo.
Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
Seu nome mesmo...
P.: Por mais que eu faça, não consigo gravar o nome das pessoas. Sou desmemoriado mesmo! Aí, passo por umas situações muito chatas, a pessoa falando, dando oi, etc. e tal, pergunta mil coisas, e eu só tentando lembrar o nome do fulano… Tem jeito? Raul, Niterói
R.: Bota chato nisto! Afinal, nome é algo super importante: sintetiza identidade e personalidade. Por isso que a escolha do nome de um bebê é tão difícil e é a primeira coisa que as pessoas perguntam, junto com sexo e saúde! O mesmo vale para produtos - é a logomarca. Mas quem já não passou por uma situação de esquecer de um nome? E o contrário também: você percebe que a pessoa não está lembrando seu nome, ou simplesmente chama por algo parecido, mas que, de jeito maneira alguma é você! Pior é quando ligam e falam: -Adivinha quem é?
Não sei, não quero saber…
Dizem que o fato de não lembrar o nome é desinteresse. Discordo. Acho que é falta de atenção, algo totalmente diferente. Você pode estar focado em outra coisa, no que a pessoa faz e diz, e acaba esquecendo o nome! Uma vez, me aconteceu algo parecido, em propaganda. Era um grande lançamento, uma linha de televisores. Aproveitamos a época da copa e as chamadas eram do gênero: “entrou em campo a grande seleção de televisores”; “escale a melhor marca para sua casa”; tudo gravado no maior estádio de futebol de São Paulo.
Sempre tem um mas…
Antes da campanha entrar no ar, lá fomos nós apresentar na convenção de vendas. Gente do Brasil todo, auditório cheio. Vamos mostrando as peças de propaganda. Finalmente, apresentamos a grande estrela: o filme. Mal passamos, entre os aplausos, um voz lá do fundo: -Dá para passar de novo?
Gelei, mas respondi: -Claro! E lá rodamos o filme. A mesma voz: -Dá para parar quando eu pedir? Ai,ai, ai, meus sais! O que seria? Rodamos e na hora que o desinfeliz pediu, paramos.
PIMBA! Lá estava, bem grande, no muro do estádio, um painel com a propaganda do concorrente…
Nem notamos
Era tanta atenção nos produtos, nos atores, na luz, em tudo, que nem notamos. Foi gravado, editado, finalizado… Quinhentas pessoas em volta, e ninguém percebeu! Na hora, demos a volta por cima, dizendo que ainda faltavam ajustes, era só para dar uma idéia do filme. E saímos correndo para arrumar a burrada. Já pensou se vai para a TV? Milhões gastos para fazer propaganda do concorrente!
Resumo da ópera: atenção redobrada em tudo e por tudo. Assim, os nomes não vão para escanteio. O assunto da lembrança (recall) é muito importante em propaganda - e na vida. Vamos voltar com ele!
A ESTRATÉGIA
1. Preste atenção não só naquilo que lhe interessa (os comentários, por exemplo), mas também no que parece não ser tão importante (o nome).
2. Diga, re-diga e diga de novo o nome. Utilize múltiplos meios: escreva ou, se receber um cartão, no verso coloque uma referência qualquer para localizar a pessoa (evento, interesses, etc.)
3. Encontrou, não lembrou? Peça ajuda aos universitários! Ou seja, com tato e diplomacia, assim como fizemos com a propaganda em que aparecia o concorrente, admita “parcialmente” que não se lembra do nome: “Seu nome completo mesmo é…”, ou, “- Estava falando de você. Que coisa! Mas me deu um branco agora, como é mesmo seu nome?”.
4. No caso de telefonemas, reuniões e outros que tais, instrua que as pessoas sejam terminantemente anunciadas, não importa que sejam íntimas ou não. Isso vai evitar muitos dissabores.
Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
Para viver um grande amor
P: Adoro aqueles casais que vivem muitos e muitos anos juntos… Mas, hoje, parece que todo mundo se separa na crise dos 7 anos! Como eu faço para manter vivo o amor e chegar às bodas de diamante? Karina, Lisboa
R: Dizem que romantismo é bobagem, mas acho que viver um casamento eterno é tudo de bom! Para dizer a verdade, é o sonho de todo publicitário: ter um anunciante que seja fiel durante muitos e muitos anos… Mas o que faz com que uma agência de propaganda perca um cliente? É quase parecido com os casais de hoje: tudo começa às mil maravilhas no namoro e acaba em um divórcio cheio de crises.
Acordei com vontade de…
Acontece que uma agência não perde um cliente da noite para o dia, assim como ninguém acorda de repente e diz: -Que dia bom para me separar! É tudo um processo, lento, contínuo, que vai dando sinais quase imperceptíveis. É preciso aprender a ler, para evitar a tragédia. Cliente acha o fim do mundo quando tem que ficar repetindo mil vezes a mesma explicação, porque o planejamento, a criação ou seja lá quem for, não entendeu direito ou SUPOS que era isto, quando era aquilo. Suposição é lindo em romance de mistério. Na prática, só gera ressentimento.
Pequenos grandes erros
Outra coisa: geralmente, a gente pensa que são os grandes erros que provocam a ruptura. Bobagem. Os clientes não vão embora porque a agência se enganou em um projeto. Vão embora pelo acúmulo de pequenos desleixos: é o atraso na entrega dos materiais ou na hora de chegar na reunião. O atraso pode ser pequeno, mas quando é recorrente… Ai, ai. E a falta de retorno a um telefonema, os ruídos de comunicação, os pedidos insignificantes que não são atendidos? Tem coisa mais desgastante? As grandes campanhas, estas sim, estão ali, na hora certa. Mas e o resto? Falta proatividade – as pessoas só fazem o que é pedido, nem um pouco além, nem por conta própria, sem serem demandadas. Falta, também, sinceridade – o medo de perder o famigerado cliente é tão grande, que o pessoal do atendimento já nem questiona mais o que é dito. Vai fazendo assim, no piloto automático.
Hora fatal
Quando se dão por conta, o cliente já se foi, e o contato (pessoa que faz o atendimento) fica se perguntando: - Mas o que foi que eu fiz? Ao chegar neste ponto, é porque o cliente não suporta mais aquilo que antes achava bacaninha: o jeito que o fulano respira, come e faz piadas dão nos nervos. É um ponto sem retorno. Dá para salvar a conta? Difícil, não custa tentar. A operação resgate fica para outro post. Mas o melhor mesmo é não esperar a hora de assinar o divórcio. Então, mãos à obra! Pode ser que não chegue às bodas de diamante, mas, pelo menos, passa das bodas de papel.
A Estratégia
1. Valorize os pequenos itens. A vida se vive no dia-a-dia, não no futuro grandioso.
2. Antecipe desejos e agrados.
3. Proponha coisas inovadoras.
4. Mantenha os canais de comunicação abertos e controle o retorno.
5. Treinamento para incêndio não é coisa só para gringo: é uma forma de ficar atento ao fogo e não deixar que o incêndio se espalhe. Faça o mesmo no relacionamento.
Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
Contra a pedofilia
P.: Estou extremamente preocupada. Aqui em casa, até que eu consigo monitorar a situação, e não deixo meus filhos expostos a tudo que anda por aí. Mas muita gente vive me dizendo que isto é censura, que a vida é assim mesmo. O que eu faço? Mary, Tatuí.
R.: Há uma diferença muito grande entre censura e bom senso. Em propaganda, volta e meia, existem processos contra campanhas, denúncias e tudo mais. Geralmente dá em nada.
A raposa cuidando das galinhas
E por quê? Ora, porque quem cuida do assunto é o CONAR, o Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária. Acaba virando ação entre amigos... Geralmente, o argumento é a famigerada “liberdade de expressão”. Mas que liberdade é esta? Meus alunos acham que entrar e sair da sala de aula é liberdade de ir e vir! Ora bolas: estão, sim, atrapalhando quem deseja estudar.
Meu pai já dizia que, quando este um problema em que TODOS perdem, uma solução é logo encontrada. Se o problema persiste, é porque alguém ganha com isto: guerras, drogas, e por aí afora. Com pedofilia, é o mesmo.
Valorizar a juventude, a inocência e o poder que os adultos podem exercer sobre o mundo infantil só piora as coisas. Os concursos de Miss universo infantil, com crianças maquiadas e em poses eróticas endossam esta exploração, gerando dinheiro, fantasias, e um mundo de negócios escusos. O pior: pais, mães e famílias vangloriam-se destas conquistas. Dá no que dá. A história de JoanBenet Ramsey, Pequena Miss Universo mostra a dimensão da tragédia. Mas podemos fazer alguma coisa.
A ESTRATÉGIA
1. Evitar super valorizar o erótico.
2. Estimular rotinas infantis – brincar, brincar e brincar!
3. Falar sobre o assunto.
4. Monitorar e denunciar campanhas, sites, produtos que explroam a imagem infantil de forma erótica.
PS: A ilustração de hoje é substituida pelo simbolismo do combate à pedofilia, para blogagem coletiva proposta por Luz de Luma.
Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008
Relacionamento Subliminar
P.: Até que nos encontros iniciais eu vou bem. Acelero um pouco, dou uma freada, e tudo corre as mil maravilhas. Mas na hora de realmente engrenar a primeira e ultrapassar a curva para a relação se aprofundar... Dou marcha à ré e paro no primeiro pit stop! E agora? Simone, Aracaju
R.: Pelo menos o primeiro passo você está conseguindo dar. Ou seja: conquistou o cliente, fez com que ele, ao menos, parasse um pouco, para prestar atenção na sua mensagem. Isto, em marketing e propaganda, se consegue com um pouco de maquiagem.
É aquela fase da atração à primeira vista: o design do produto, as cores da embalagem. O nome do serviço. O sorriso do atendente. Um detalhe na vitrine. São pequenos detalhes subliminares. E propaganda subliminar vale? Vale, vale sim. Claro, depende da definição de propaganda subliminar. Mas estes primeiros contatos são aqueles que apelam para algo que não conseguimos muito bem definir.
Um livro pequeno, lançado em 1974, chamado Subliminal Seduction, de Wilson Bryan Key, provocou um grande escândalo – e deu origem a inúmeras teorias conspiratórias e de manipulação. A propaganda de fato manipula o consumidor? Ou vice-versa? Manipulamos as pessoas, no trabalho, nas relações amorosas, familiares? No livro, o autor mostra anúncios e embalagens onde imagens eróticas estão camufladas – sendo o apelo erótico um dos nossos mais fortes motivadores. Alguns destes ícones são bem famosos, como a embalagem do cigarro Camel.
A dúvida é se, de fato, as imagens foram manipuladas (quem confessaria o delito?) ou se, simplesmente, vemos formas onde nada existe? Afinal, temos a tendência de buscar ordem e figuras conhecidas – mesmo onde só há manchas. Os testes de projeção estão aí para não nos deixar mentir. Os desenhos nos azulejos – mesmo nos azulejos lisos! – também. E quem já não viu monstros ou príncipes nas nuvens do céu? A questão do subliminar, na propaganda – e nas relações – é uma via de mão dupla: o que os outros projetam para que a gente veja; e o que nós mesmos vemos.
Só que, com apelos subliminares ou não, tem sempre o depois. E o depois significa descascar as camadas da cebola, para ver o que de fato aquele produto ou serviço oferece. Era só uma promessa? Ou a essência corresponde realmente ao texto e às imagens da propaganda? Um produto inatingível, objeto de desejo, que fica só na imaginação, sem dúvida alguma é perfeito. Uma boa estratégia de marketing: temos aquela linha “premium”, para poucos... E depois, a comum, para nós, pobres mortais. Enquanto sonhamos com o que não temos, fica tudo em projeto. Fora da realidade, não há riscos de imperfeição – mas também não há o sabor de experimentar o conteúdo. Ficamos só na maquiagem. Coragem – e abra o embrulho. No máximo, é devolver para a prateleira!
1. Aceite que o primeiro contato é realmente subliminar e foge um pouco do controle de cada parte. Eu, por exemplo, nunca ouvi como elogio, num primeiro encontro: - Que belos neurônios você tem!
2. Aprecie esta fase de “embalagem” e “design” - mas parta para conhecer o produto de fato!
3. Tenha coragem para abrir o pacote e mergulhar no conteúdo – e vice-versa. O pior que pode acontecer? Propaganda enganosa! Mas é melhor descobrir logo, do que viver na imaginação.
4. Nem sempre o conteúdo corresponde à expectativa, mas isto não quer dizer que seja inadequado. De um tempo para se acostumar com novos sabores, novas conversas, novos pontos de vista. Afinal, curtir a vida é sempre mergulhar em novas águas!
Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008
Propaganda comparativa
P.: Sempre tem alguém melhor. Alguém que já “chegou lá”, conquistou todo o dinheiro que eu sempre quis, em dobro! O pior são aqueles comentários, que disfarçados de elogio, acabam te derrubando: -“Nossa! X anos? Nem parece!”. Ou seja: como você está velha...Tenho uma coleção destas “pérolas”: -“Mas foi você mesma que fez isto? Está tão bom!”. “-Quem diria, você sabe cozinhar!” Como assim, QUEM diria? Não agüento mais estas comparações, explicitas ou não. Bella, Salvador
R.: Comparação é algo tão negativo, que muita gente pensa que a propaganda comparativa é proibida no Brasil. Não é. Em vários países, ela faz muito sucesso. Aqui, ao contrário, as pessoas tendem a ficar do lado mais fraco, do anti-herói, do “coitadinho”, aquele que é esmagado pelo outro.
Ao comparar, você acaba obrigando as pessoas a olharem os dois lados – e, muitas vezes, quem deveria sair ganhando sai perdendo, pois surge como prepotente e arrogante. A grande lição disto é que o anunciante pode comparar o quanto quiser, fazer isto depende só dele. Mas o que ele não pode é forçar como as pessoas vão reagir a tal fato, mesmo que, para se sentir por cima, tenha que colocar o concorrente para baixo.
O mesmo vale para a gente. Infelizmente, não podemos decidir como nossos pais, chefes, colegas e amigos (alguns, “muy amigos”) falarão a nosso respeito ou com a gente. Agora, o tipo de reação que teremos, isto sim é possível fazer! A reação direta – bateu levou – geralmente traz péssimos resultados. Tanto é que, em propaganda, quando comparam ou falam mal, não se parte para o confronto direto: isso só reforça a postura do concorrente. Não importa se a comparação é verdadeira ou não - as pessoas tendem a achar que é possível encarar de forma racional e distanciada as comparações: não é.
A comparação surge porque o ser humano, para valorar alguma coisa, precisa de um referencial. A questão é QUAL o referencial que está sendo utilizado. Sou magra – comparada com as mulheres de Botticelli. Já se a referência for as top models de hoje... A propaganda, subliminarmente, tende a colocar você em situações de inferioridade, para estimular o consumo. De forma grosseira (claro que é tudo muito sofisticado, para não se perceber a estratégia), a mensagem é: - Tem gente mais bem sucedida, mas atraente, mais sexy, mais feliz, mais rica, mais inteligente, mais ... (coloque aqui sua qualificação preferida). Para ser como elas, compre isto ou aquilo, faça isto ou aquilo.
Detalhe: não são só produtos. São também mensagens: trabalhe mais, seja de direita (ou de esquerda), seja voluntário, politicamente correto, bonzinho, etc. A comparação, muitas vezes, está tão escondida, que a gente nem percebe.
Se alguém coloca você sempre para baixo, hora de pensar se você concorda com ela (já que se afeta tanto com isto!). Se sim, por quê? Conhecer as razões não resolve tudo, mas já é um grande passo para isto. Quando sai uma propaganda comparativa, que tenta derrubar o concorrente, a primeira coisa que eu faço é examinar o que está por trás da comparação. Afinal, se para se promover preciso do outro, então é porque tenho algum ponto fraco, algo obscuro, que tento esconder. Será mesmo? Garanto: geralmente tem, sim senhor. Conhecer que o outro também é imperfeito não nos faz melhores, mas é reconfortante. Já deixo de me sentir o a mosca do cocô do cavalo do bandido!
O briefing é o conjunto de informações que servem para elaborar a estratégia de marketing e comunicação. Dentre outras coisas, traz os pontos fortes e fracos da empresa e dos concorrentes. Nunca encontrei um briefing que fosse tudo de bom ou tudo de ruim. Ao analisar estes dados, coloco em destaque o que há de melhor e proponho ações para melhorar o elo mais fraco. Por isso, sempre existe luz no fim do túnel: siga a sua chama e saia para o a vida!
1. Faça seu próprio briefing: liste pontos fortes e fracos, entre outras coisas.
2. Repense como você está reagindo ao que os outros falam e fazem.
3. Antes de agir precipitadamente, bole um plano de ação, uma rota de fuga. Por exemplo: buscar outro emprego, pedir transferência, fazer um curso, tentar um apoio terapêutico, aprimorar habilidades de fala, a inteligência emocional e daí para frente.
4. Não confunda o que você é e seu potencial com o que os outros dizem, nem que para isto seja preciso escrever milhares de papeizinhos e esparramar pela casa ou na tela do computador. Os mantras existem há milhares de anos. Alguma sabedoria há neles!
Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO
P.: Tenho absoluta certeza que a Terra está girando mais rápido. Simplesmente, não consigo dar conta de fazer tudo que planejo para o meu dia! O mínio: 25 horas! Resultado: os papéis se acumulam, fica tudo pela metade... Soraya, Campo Belo
R.: Administração do Tempo – está disciplina deveria ser obrigatória nos dias de hoje, do maternal ao pós! Em propaganda, vivemos correndo contra o tempo (por isso, é considerada uma das profissões mais estressantes, junto com quem trabalha na área de saúde, bancários e, obviamente, a SUA profissão!), as vezes presos ao passado (que já se foi), outras angustiados com o futuro - que não chegou!
ESPAÇO RESERVADO
Uma das coisas piores que podem acontecer a um publicitário é ver sair, no jornal, um espaço em branco. No meio, em letras miúdas: espaço reservado pela Agência Tal. Às vezes, o jornal consegue colocar um calhau, ou seja, alguma coisa de última hora, para preencher o espaço em branco. Mas nem sempre faz isto. O que aconteceu? A agência reservou o espaço, mas não entregou o material em tempo. Fora a vergonha, tem que pagar a conta...
A falta de tempo, o acúmulo de coisas, faz mal para o corpo, para a alma e para o bolso, como se pode perceber. Então porque insistimos em abraçar o mundo, quando deveríamos abraçar somente nosso bairro –e olhe lá? A culpa, com certeza, não é do relógio: se existe algo democrático neste planeta, com certeza é ele! O dia tem 24 horas para ricos e pobres, homens e mulheres, crianças e velhos. O que cada um faz a cada tic-tac depende da própria pessoa.
SÍNDROME DA IMPORTÂNCIA
Infelizmente, apesar de Domenico de Mazzi, autor do livro O Ócio Criativo, fazer nada (desculpem o paradoxo!) está associado com vagabundagem, preguicite aguda, pecado capital e outros que tais. Ao contrário, estar sempre ocupado, correndo de um lado para outro, a mesa cheia de papéis significa poder, cargo de chefia: -Vejam só! Não tenho tempo para nada! Nem para mim... Pois é: tem gente que tem medo de ter tempo para si mesma, de se enfrentar e pensar sobre a própria vida. Mas existem outras razões para o corre-corre infernal.
TAMBÉM PUDERA
É que a falta de tempo pode representar um escudo – e um bom escudo, diga-se de passagem – para eventuais críticas. Afinal, proclamarão os incautos, antecipando-se a qualquer senão, “- Tive tão pouco tempo para fazer isto... O que vocês queriam?” E se o elogio vier certeiro, mais um motivo de orgulho: -“Vejam só, mesmo assim consegui este resultado fantástico! Imagine se eu tivesse mais tempo...”
EVITANDO AS ARMADILHAS
O único problema é que, além da já mencionado risco de stress, de fadiga e perda de dinheiro, a desorganização do tempo também aumenta as chances de erro e impede que você realmente aproveite a vida com o que gosta – ou com quem gosta! O círculo vicioso é que, sem tempo, não dá para organizar o próprio tempo. Ataque o mal pela raiz. Descubra os motivos que fazem com que o tempo seja seu dono e senhor, e não o contrário. E lembre-se que existem vários tipos de tempos: o real, o psicológico, o seu e o dos outros. Ou você nunca viu o tempo “passar voando”? Para aqueles que estão aflitos, pois já se passaram quase 60 dias, ou seja 1.440 horas, ou 86.400 minutos do ano de 2008, e as coisas continuam na mesma, melhor arregaçar as mangas e dominar este tirano, o relógio!
A ESTRATÉGIA
1. Adote a hora médica (quando os médicos ainda respeitavam os pacientes e marcavam as consultas com folga): imagine que cada hora tem 50 minutos, ou seja, deixe um intervalo entre uma atividade e outra, para imprevistos.
2. Lembre-se dos compromissos invisíveis: muitas pessoas, ao organizar as atividades, esquecem do inter-tempo. É o tempo para aqueles atos que não aparecem: escovar os dentes, vestir-se, se despedir dos filhos, preparar um lanche, até mesmo se locomover de um lado para o outro.
3. Faça aniversário antecipado: marque na agenda os prazos fatais com alguns dias de anteced