quinta-feira, 3 de abril de 2008

Mudando a rota

P.: Tenho uma profissão estável, sou reconhecida no meio. Nada de grandes fortunas, mas pobre não posso dizer que sou. Só que ando insatisfeita, penso em mudar de área. No entanto… Será que é tarde? E se der errado? Já passei dos 30! Marta, Goiânia
R.: O quanto “tarde” é tarde? Mudanças são sempre um desafio – e o “errado” depende daquilo que você considera “certo”.

As expectativas

O mundo do consumo está cheio de mudanças – para o bem e para o mal. Também para os executivos tais decisões são difíceis. Tive um cliente que havia desenvolvido um novo produto: uma pasta de dentes com perfume de rosas. É, isto mesmo. Não posso falar o nome porque a empresa é e-n-o-r-m-e e existe até hoje. Fomos a campo, para testar o produto. Bem, vocês podem imaginar o resultado. Por nossa própria conta, testamos na classe E, que adorou. Só diziam: -Imagina eu, no bailão, falando e soltando rosas pela boca!
Só que o cliente queria lançar para a classe A. E para convencê-lo que não ia dar certo? Mudar de idéia já é difícil, imagina mudar um produto, uma vida. A Kodack, só após amargar enormes prejuízos, decidiu dar uma guinada e entrar na era digital. O mesmo vale para a Xerox. Valisére. A lista é infindável, ultrapassa o mundo corporativo.

Gente que virou a mesa

O número de escritores, músicos, artistas e cia. que estão por ai, fazendo e acontecendo, também serve de exemplo. –Espera aí, você pode dizer. Isto é gente com talento incomum, nós estamos aqui falando de quem tem que pagar as contas todo dia, réles mortais.
O número de anônimos que busca novos caminhos também é significativo. Uma das explicações é simples: a expectativa de vida aumentou, o número de opções profissionais também. O que antes se resumia a 25, 30 anos de vida profissional, hoje mais que duplicou: continua-se estudando, aprendendo, trabalhando (e todos os “andos” que você quiser!) até os 70, 80 anos. E, no entanto, sempre dá um medinho de mudar.

Queimando navios

Muitos imigrantes conquistam a nova terra, para espanto (e inveja) dos que nela já estão. Qual a diferença? De onde vêm tanta coragem? Existem muitas explicações. Destaco duas: os imigrantes não têm nada a perder e não possuem uma rede de apoio. Isto significa que precisam dar tudo de si, sem contar com mais alguém. Os navios são queimados, não há retorno possível. É o mesmo estímulo que faz o sucesso dos jovens empreendedores, que vendem tudo para investir na sua idéia. E se der tudo errado? Isto está fora de cogitação. O não abrir mão do pouco que se tem é que impede as pessoas de arriscarem. Vive-se com um olho nas conquistas passadas – ignora-se o futuro, até que ele chega, implacável, exigindo mudanças. As empresas fecham os olhos para os funcionários desmotivados, clientes descontentes, concorrência agressiva. Quando percebem, saem correndo atrás do prejuízo, como já vimos. Muitas desaparecem – esperaram demais para reconhecer que a mudança de rota era fundamental. Portanto, alerta para os sinais que indicam a hora de virar o leme e navegar em outras direções. Se você terá sucesso? Isto já é assunto para o próximo post.

A estratégia
1. Alerta para os sinais que indicam problemas: vontade de largar tudo, irritação, mal estar indefinido, falta de energia, pensar alguma coisa, uma sugestão, mas silenciar.
2. Lista infindável de justificativas para manter a situação (como se quisesse convencer a si mesmo).
3. Chorar as pitangas em outra lista de tudo que pode dar errado, se mudar de atitude.
4. Agora, encha-se de coragem e escreva o epitáfio da sua vida, como ela é, se você morresse hoje. Depois, o epitáfio como gostaria que fosse. Não gostou das diferenças? Hora de agir.

20 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Impactante, dá o que pensar.

Depois dos 25, mas antes do 40! disse...

Ainda bem q passou lá no blog!!! Eu estou doidinha com as viagens e só dá para responder assim: 3 da manhã. Mas olha, devorei o livro "Egito dos Faraós!" No início estava com raiva do Ortiz pq falava do Beto como se ele fosse um atrapalhado e estava pronta para enviar um e-mail p os dois qdo resolvi me segurar e ler tudo. Fiz certo. Agora vou enviar e-mail dizendo que amei tudo! Lá no livro fala que ele é filho do Moacyr e q até escreveram um livro juntos. Sorte para ele com as fotos! Se encontrá-lo, diga que tem uam fã!srs Beijocas milll

Depois dos 25, mas antes do 40! disse...

Não poderia deixar de comentar sobre o post. Minha mãe era uma bem sucedidade Ger. de MKT e aos 42 anos resolveu largar tudo e fazer um intercâmbio. Ficou um ano em Vancouver e qdo voltou entrou na pós de Ger. de Projetos. Todos a achamos meio louca, mas hoje, aos 46 anos, ela é Ger. de Projetos de uma empresa imensa, dá consultoria e ainda é prof. da pós de Ger. de Projetos. Ela planejou tudou com cuidado. Diz q deu muito medo, mas valeu a pena.
Bjocas

Georgia disse...

Muito bom.

Vale também para dona de casa? Rs


Bom fim de semana

Ciça Donner disse...

Sempre estou escrevendo meu epitáfio. Espero que ele fique looooongo pq o epitafio do que gostaria de ser tb é

anlene gomes disse...

Adorei este post, aliás, suas estratégias são ótmas. Sempre venho aqui, mas não comento. Estou preparando uma pergunta pra te mandar! beijos!

Daniela disse...

Nossa. tenho muito medo de mudanças. Sabe aquela coisa de emprego público, casa própria, nao trocar o certo pelo duvidoso? Pois. Foi isso que me ensinaram. Dá trabalho me livrar desse legado....

Fernanda França disse...

Oi Ethel! Primeiramente, muito obrigada pelo seu recado tão bacana no meu site e seja sempre muito, muito bem-vinda!! Eu adorei seu site, de verdade. Já estou lendo as outras perguntas (adorei a do namoro virtual), mas sobre este texto... é verdade que dá medo mudar, mas acredito que dá para "virar a mesa", como você mesma disse. Hoje em dia temos muito mais tempo de vida profissional, muito mais possibilidades e se quisermos, podemos mudar, sim. Minha avó tem quase 80 anos e trabalha, com lucidez, até hoje! Coincidência que escrevi sobre mudança há pouco tempo lá no blog também. Beijo enorme, Fernanda - www.fernandafranca.com

Lucia Cintra Stevenson disse...

Ouvi uma estoria uma vez da qual nunca esqueci. A pessoa contava que conversava com alguem e dizia que tinha a maior vontade de fazer medicina, que era seu sonho. Ai a outra, com quem ela conversava, virou pra ela e disse: "Ue? Entao porque voce nao faz?". Ela responde dizendo que se fosse comecar agora, so iria se formar quando tivesse 40 anos". E essa mesma diz: "Ainda nao entendo o empecilho... voce vai fazer 40 anos da qualquer maneira, entao pq nao chegar la sendo e fazendo algo com que sonha?". bjos

1a das Pimp! disse...

Desejos de uma boa semana de trabalho!
Até...

Meire disse...

vc tocou em um tema que anda tirando a cabeça deste casalsinho aqui....
bjs

Ana Paula Soldi disse...

Aplausos, excelente post, dá forças pra lutar.
beijos

Olá!! disse...

Bom tema para reflectir...
A ti Mulher, deixei um pequeno mimo no meu canto
Beijossssssssssss

simone corpo mente e arte disse...

Oi,
voltei a ativa, acabou o Boca do Céu e a próxima postagem falarei sobre ele, mas nesta falo sobre o impacto q os chicletes causam nos ásaros, se der passe lá.Ameiiiiiiiiiiii esse seu post, mudança acontecem tds os dias algumas nós percebemos outras passam desapercebidas, aliás mudança é a coisa mais constante na vida.bjs. Simone.

Mustafa Şenalp disse...

Çok güzel bir site. :)

Dani disse...

Oi Scliar!!!
Acho q vida eh mto curta pra ficarmos infelizes acomodados!! Vejo o exemplo da minha mae que, com 4 filhos, mudou de area na medicina pra fazer algo q a deixasse feliz!!! Ela batalhou mto e venceu!!!
To de volta com o blog!!!
Beijos, Dani

Herbert Drummond disse...

Olá Scliar,
Adoro esse seu blog. As histórias, as perguntas, as respostas...
Os "mecânicos" da Oficina estão sentindo a falta da sua "máquina" lá, em nossos boxes.
Grande abraço e, apesar de ser redundante, muito sucesso.

Depois dos 25, mas antes do 40! disse...

Por onde vc anda????

Beijocas mil e apareça!!!!

Denise BC disse...

Ótima abordagem
Eu sou um exemplo desses, que largou a profissão em ascendência, para conquistar um lugar no mercado de trabalho como patrão. Passei por altos e baixos até me estabilizar, mas valeu a pena, estou feliz, não rica, mas não estaria também da outra forma.
Bjs,
Denise BC

nina disse...

iihh Ethel, já virei a mesa tantas vezes nessa vida....

algumas vezes pro lado errado, coisas que estavam em cima dela, acabaram caindo em cima de mim, mas outras agi mt acertadamente.


bjs pra ti