sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

COBRAR O QUÊ?

P.: Acho incrível as pessoas que conseguem cobrar, sem vacilar, um preço alto pelo produto ou trabalho que fazem. Eu vivo no prejuízo. Como faço para cobrar um preço justo e não me sentir explorado? Josias, São José
R.:
Todo o publicitário vive este drama. Quanto vale uma criação? Quanto vale meu texto, uma ilustração, uma foto? O Rick, que faz as ilustrações deste blog, já cansou de ouvir: -Ué! Tudo isto para ficar desenhando?

PELO ESGOTO
Esta história (aconteceu comigo) mostra bem tal dificuldade. Estava trabalhando em casa, com pilhas de layouts e campanhas esparramadas pela mesa. Nisto chegou o limpa-fossa, que eu chamei para desentupir um cano. Entrou, viu as propagandas e falou –Ah, então somos colegas! A senhora é publicitária!
Olhei admirada para o fulano, que explicou: –Já trabalhei muito com isto, trabalhei em agência de propaganda, em jornal. Mas cansei. Todo mundo dá palpite, todo mundo reclama do preço. Aí, abri este limpa-fossa com meu irmão. Melhor coisa do mundo! Porque quando sai merda para todo lado, ninguém fala do preço. A pessoa quer mais é resolver o problema – e logo. Nem pechincha. E às vezes é coisa super simples!

PREÇO É DIFERENTE DE VALOR
Pois é, o que importa não é o quanto VOCÊ pensa que o trabalho vale, mas o quanto a PESSOA que está pagando acha que aquilo vale. É importante ajustar a percepção do que se oferece em função do que o outro precisa. A mesma coisa ocorre em relação a produtos. Um remédio para emagrecer, por mais barato que seja, não será comprado por alguém magérrimo. Para estabelecer um valor justo, esqueça o que VOCÊ acha e coloque-se no lugar do outro. Estou resolvendo um problema? Ofereço algo que vai trazer um benefício para esta pessoa? Falar dos benefícios e dos resultados (não do serviço em si) é que justifica o preço. Detalhe importante (este aprendi com o Mário, que foi meu analista em São Paulo): se você faz um trabalho em 5 minutos, na verdade não são 5 minutos – são 20 anos e 5 minutos, por exemplo. É a sua carga de experiência que também deve ser levada em conta. Assim, quando o preço é por hora, não dá para nivelar quem está começando com quem já tem mais experiência. E como diz a propaganda do cartão: Resolver o problema de alguém... Não tem preço!

A ESTRATÉGIA
1. Foque na necessidade, no problema e nos benefícios que a pessoa deseja.
2. Inicie apresentando os resultados que serão obtidos.
3. Lembre-se que nenhuma empresa subestima o produto que vende, ao contrário, valoriza-o mais ainda. Faça o mesmo.
4. Esqueça esta história de democracia, e que tudo e todos são iguais. Aqui, vale a diferença!
5. E se a pessoa achar o preço alto? Bom, é o sinalizador da importância e do valor que ela dá para o seu trabalho. Hora de negociar e repensar no que faz.

5 comentários:

Ciça Donner disse...

Bom, entao nesse caso, nem eu mesma teria como pagar o valor que eu mereco. entao é melhor dar de graca logo huhuuhuhuhuh

Maninha, pode deixar que passo as roupinhas pra vc depois de usar. Só uma vez, na maximo duas pq nao tenhao guardaroupa, sabe?? ehehheh

Anônimo disse...

Acabei de descobrir que sou mulher... porque adoro um cafuné!

Daniel Boppré disse...

Oi Ethel, gostei de conhecer esse seu lado "usina criativa" em forma de blog! Parabéns, muito posts hilários e tbém muito reais!
abs

Carla disse...

Vixe! Num é que é isto mesmo? O problema, é quando as contas apertam... a gente acaba topando quase tudo! Ter a possibilidade de recusar um trabalho, ai, quem me dera! Bzs. Carla

Depois dos 25, mas antes do 40! disse...

hahaha Estou morrendo de rir do "Pelo esgoto!" Preço é algo delicado. Meu namorado é cirurgião plástico e sempre cobrou mais caro que os outros colegas, pq se especializou no Canadá e USA em cirurgia de face. As faces que ele faz são impecáveis! Ninguém diz q a pessoa operou e com um pouco de mkt e etc as pessoas pagam o preço que ele pede com um sorriso de orelha a orelha. Por isso, acho realmente, q tem q se colocar no lugar do outro. A pessoa, principalmente o homem, não quer saber qunato custa ele quer um rosto mais jovem, mas q possa jurar de pé junto que é natural. E isso, não tem preço. Só q para a criação, arte... ai já acho q é mais complicado, né? Sou formada em jornalismo e o que a gente mais ouve é: o q vc faz, qualquer um faz. Dureza!!!! Falei muito srsrs

Beijocas e ótima semana!!!!