sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Propaganda comparativa

P.: Sempre tem alguém melhor. Alguém que já “chegou lá”, conquistou todo o dinheiro que eu sempre quis, em dobro! O pior são aqueles comentários, que disfarçados de elogio, acabam te derrubando: -“Nossa! X anos? Nem parece!”. Ou seja: como você está velha...Tenho uma coleção destas “pérolas”: -“Mas foi você mesma que fez isto? Está tão bom!”. “-Quem diria, você sabe cozinhar!” Como assim, QUEM diria? Não agüento mais estas comparações, explicitas ou não. Bella, Salvador

R.: Comparação é algo tão negativo, que muita gente pensa que a propaganda comparativa é proibida no Brasil. Não é. Em vários países, ela faz muito sucesso. Aqui, ao contrário, as pessoas tendem a ficar do lado mais fraco, do anti-herói, do “coitadinho”, aquele que é esmagado pelo outro.

Lembrando a outra parte
Ao comparar, você acaba obrigando as pessoas a olharem os dois lados – e, muitas vezes, quem deveria sair ganhando sai perdendo, pois surge como prepotente e arrogante. A grande lição disto é que o anunciante pode comparar o quanto quiser, fazer isto depende só dele. Mas o que ele não pode é forçar como as pessoas vão reagir a tal fato, mesmo que, para se sentir por cima, tenha que colocar o concorrente para baixo.

De mim sei eu
O mesmo vale para a gente. Infelizmente, não podemos decidir como nossos pais, chefes, colegas e amigos (alguns, “muy amigos”) falarão a nosso respeito ou com a gente. Agora, o tipo de reação que teremos, isto sim é possível fazer! A reação direta – bateu levou – geralmente traz péssimos resultados. Tanto é que, em propaganda, quando comparam ou falam mal, não se parte para o confronto direto: isso só reforça a postura do concorrente. Não importa se a comparação é verdadeira ou não - as pessoas tendem a achar que é possível encarar de forma racional e distanciada as comparações: não é.

Dois pesos, duas medidas
A comparação surge porque o ser humano, para valorar alguma coisa, precisa de um referencial. A questão é QUAL o referencial que está sendo utilizado. Sou magra – comparada com as mulheres de Botticelli. Já se a referência for as top models de hoje... A propaganda, subliminarmente, tende a colocar você em situações de inferioridade, para estimular o consumo. De forma grosseira (claro que é tudo muito sofisticado, para não se perceber a estratégia), a mensagem é: - Tem gente mais bem sucedida, mas atraente, mais sexy, mais feliz, mais rica, mais inteligente, mais ... (coloque aqui sua qualificação preferida). Para ser como elas, compre isto ou aquilo, faça isto ou aquilo.
Detalhe: não são só produtos. São também mensagens: trabalhe mais, seja de direita (ou de esquerda), seja voluntário, politicamente correto, bonzinho, etc. A comparação, muitas vezes, está tão escondida, que a gente nem percebe.

A defesa
Se alguém coloca você sempre para baixo, hora de pensar se você concorda com ela (já que se afeta tanto com isto!). Se sim, por quê? Conhecer as razões não resolve tudo, mas já é um grande passo para isto. Quando sai uma propaganda comparativa, que tenta derrubar o concorrente, a primeira coisa que eu faço é examinar o que está por trás da comparação. Afinal, se para se promover preciso do outro, então é porque tenho algum ponto fraco, algo obscuro, que tento esconder. Será mesmo? Garanto: geralmente tem, sim senhor. Conhecer que o outro também é imperfeito não nos faz melhores, mas é reconfortante. Já deixo de me sentir o a mosca do cocô do cavalo do bandido!

Brifando a própria vida
O briefing é o conjunto de informações que servem para elaborar a estratégia de marketing e comunicação. Dentre outras coisas, traz os pontos fortes e fracos da empresa e dos concorrentes. Nunca encontrei um briefing que fosse tudo de bom ou tudo de ruim. Ao analisar estes dados, coloco em destaque o que há de melhor e proponho ações para melhorar o elo mais fraco. Por isso, sempre existe luz no fim do túnel: siga a sua chama e saia para o a vida!

A estratégia
1. Faça seu próprio briefing: liste pontos fortes e fracos, entre outras coisas.
2. Repense como você está reagindo ao que os outros falam e fazem.
3. Antes de agir precipitadamente, bole um plano de ação, uma rota de fuga. Por exemplo: buscar outro emprego, pedir transferência, fazer um curso, tentar um apoio terapêutico, aprimorar habilidades de fala, a inteligência emocional e daí para frente.
4. Não confunda o que você é e seu potencial com o que os outros dizem, nem que para isto seja preciso escrever milhares de papeizinhos e esparramar pela casa ou na tela do computador. Os mantras existem há milhares de anos. Alguma sabedoria há neles!

5 comentários:

Nanda disse...

Foi interessante ler este post. Acho que muita gente faz isto comigo. Mas o que é pior: sem querer, também faço o mesmo com os outros! Não é por mal... Foi bom: vou tomar mais cuidado, com certeza! Fernanda

Ana Paula Soldi disse...

É bom estar conciente disso, as vezes sempre escapa uma comparaçao, mesmo com boas intençoes nao se deve fazer.
beijos

ju disse...

Verdade! nao tinha me dado conta, mas minha failia (leia-se: minha mãe!) faz extamente isto. Que coisa. Obrigada pelo toque! Juliana
PS: Adorei os dois textos do post debaixo, do luca e da world soul

Ciça Donner disse...

Eu vivo de mantras... o pior é quando eles comecam a dar resultado e a humilhante sou eu huuhuhuhu

Vindo para a propaganda... a um tempo atrás a Mc Donald e o BurgKing (nao sei se esse ultimo tem por ai) fizeram uma campanha dessa: um bate o outro devolve... a meu ver foi divertido e passei a respeitar os dois

Scliar disse...

Bem, neste post, todo o cuidado é pouco para comentar os comentários! Afinal, não quero vestir a carapuça...

Nanda: é, eu mesma também preciso prestar atençaõ. É fácil escorregar!

Ana, você tem toda razão. Afinal, de bem intencionados o inferno está cheio. E nada pior do pisar no tomate e depois vir com aquele sorriso amarelo, pedindo desculpas...Uma vez, vá lá. Mas sempre? E tem gente que põem a gente para baixo SEMPRE!

Ju: Mae a gente não escolhe, mas a forma de se relacionar com ela... Boa sorte!

Ciça: Pois é, de hist´roias de mantras, tenho várias, divertidas. Fica para outra postagem! E para você ver, como também é uma quetão cultural. Nos EUA e na Europa (paises não latinos)a propaganda comparativa é bem aceita. Nos latinos, em especial Brasil, cuidado redobrado...

Bzus para todos!